
PROJETO DE DIVULGAÇÃO À LEITURA NAS BIBLIOTECAS INTEGRANTES DO SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS (SNBP)
1 DESCRIÇÃO RESUMIDA
Homero nas Bibliotecas é um projeto baseado na obra Ilíada, de Homero, na tradução em português de Manoel Odorico Mendes (São Luís do Maranhão, 24 de Janeiro de 1799 — Londres, 17 de Agosto de 1864), apresentado ao PRONAC sob a forma de três subprojetos: um de teatro, outro de incentivo à leitura e o terceiro de registro audiovisual. Os três projetos aprovados viabilizarão a apresentação itinerante, ao longo de dois anos, em declamações literais e completas, dos XXIV cantos da Ilíada em 9 (nove) capitais brasileiras, nos auditórios das bibliotecas integrantes do SNBP – Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, totalizando 216 (duzentas e dezesseis) apresentações, registradas e documentadas em vídeo e amparadas em material impresso de apoio e incentivo à leitura.
O projeto será executado pela ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ARTÍSTICA ILÍADAHOMERO, associação civil sem fins lucrativos fundada em 2008 e sediada em Curitiba-PR, no seio da qual são realizados os trabalhos da Companhia Iliadahomero de Teatro, em atividade desde 1999. As apresentações serão realizadas por 24 atores convidados pela associação (já identificados e compromissados com este projeto), supervisionados por uma equipe formada por um diretor e quatro assistentes de direção e com apoio e coordenação de um grupo de produtores.
As nove capitais escolhidas para sediar a execução do projeto são: Curitiba-PR, São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, São Luiz-MA, Brasília-DF, Salvador-BA, Recife-PE, Belém-PA e Porto Alegre-RS.
link para video institucional da Cia Iliadahomero

Apresentação de Claudete Pereira Jorge no hall da Biblioteca Pública do Paraná, em 24/10/08.
2 OBJETIVOS DO PROJETO
Mediante aprovação do PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA, realizar a encenação dramática integral da Ilíada de Homero, na tradução de Odorico Mendes, em nove capitais brasileiras, por 24 atores profissionais (cuja participação será viabilizada por um PROJETO DE APOIO TEATRAL), que se apresentarão nos auditórios de bibliotecas do SNBP e cujas apresentações serão documentadas em vídeo, mediante aprovação do PROJETO AUDIOVISUAL.
Após dois anos de apresentações (divididos em 8 ciclos trimestrais), o projeto terá como conseqüência a divulgação, para largo público,da Ilíada de Homero (um dos textos matriciais da literatura ocidental) e adivulgação, também com ampla ressonância no país, da pioneira obra tradutória de Manoel Odorico Mendes (1799-1864).
Adicionalmente, nos termos do projeto de incentivo à leitura, cada ciclo trimestral de apresentações contará com material de apoio impresso, sob a forma de um jornal tablóide, com tiragem expressiva, contendo os trechos da Ilíada na tradução de Odorico Mendes (em domínio público) objeto daquele respectivo ciclo, além de outros textos opinativos de divulgação literária e ensaios sobre a obra, da lavra de scholars e especialistas na obra em questão.
Aliás, a proponente já detém experiência bem-sucedida em edição de jornal alusivo ao tema, como se pode ver na anexa edição especial do Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, alusivo a apresentações independentes iniciais, ao longo dos anos de preparação que culminam neste projeto:
Estes jornais (em número de oito – o mesmo número de ciclos trimestrais para apresentação completa da obra em dois anos) serão distribuídos pelos executores do projeto nas bibliotecas integrantes do SNBP que forem sediar as apresentações.
Também como POLÍTICA DE INCENTIVO À LEITURA, as edições, podendo ser colecionadas pelos seus destinatários, formarão, ao longo de dois anos, 90.000 edições autônomas (em papel jornal) da Ilíada de Homero (na tradução de Odorico Mendes), obra literária em domínio público, cujas edições mais conhecidas há muito estão esgotadas no mercado editorial brasileiro. Trata-se de contrapartida social inestimável.
Este é, em suma, o objetivo do presente projeto.

3 JUSTIFICATIVA E CONTEXTO DO PROJETO
3.1 HOMERO E A ILÍADA
Seja por essa conotação editorial, seja pelo pioneirismo da apresentação oral no Brasil (talvez em todo o mundo) da Ilíada de Homero (no caso, na tradução de um dos expoentes brasileiros máximos na tradução de textos clássicos), o presente projeto contempla política de incentivo à leitura e de divulgação literária de importância incontestável.
Homero foi o primeiro grande poeta grego cuja obra se tornou conhecida pelo Ocidente. Embora não haja dados biográficos completos (suficientes, inclusive, para que se tenha certeza se o mesmo realmente existiu), Homero teria vivido na Grécia no Século VIII a.C. e, com as obras Ilíada e Odisséia, consagrou o gênero épico na cultura ocidental.
A Ilíada é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos em um período de pouco mais de 50 dias, durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia, envolvendo personagens arquetípicos como Aquiles, Helena, Páris, Heitor, Agamémnom e o panteão de deuses gregos.
A Ilíada é constituída por 15.693 versos em hexâmetro dactílico, forma métrica que tradicionalmente constitui a poesia épica grega.
É habitual considerar-se que a obra tenha nascido da tradição oral, ou seja, teria originalmente sido uma obra popularmente cantada pelos aedos (ou rapsodos) e apenas muito mais tarde é que os versos teriam sido compilados numa versão escrita, no século VI a.C. em Atenas.
Naquela oportunidade, o poema foi dividido em XXIV Cantos, divisão que persistiu até as versões mais recentes do texto. Esta divisão é atribuída ao ciclo da Biblioteca de Alexandria, mas pode ser anterior.
A Ilíada é influência incontestável em toda a cultura clássica. Era estudada e discutida na Grécia Antiga (onde era parte da educação básica) e, posteriormente, no Império Romano. Sua influência pode ser sentida nos autores clássicos, como na Eneida, de Virgílio e, mais tarde, na Comédia, de Dante e em muitas outras obras literárias.
É considerada, com justo motivo, como a obra fundadora da literatura ocidental e uma das mais importantes da humanidade. Do que se conclui que qualquer política – pública, privada ou mista – de incentivo à leitura e divulgação literária que a contemple estará, literalmente, nutrindo-se da fonte primária que alimenta esta mesma política.
3.2 A ILÍADA, NA OBRA TRADUTÓRIA DE ODORICO MENDES
Há diversas traduções da Ilíada em língua portuguesa, tanto em verso quanto em prosa adaptada. A qualidade e a fidelidade de tais traduções variam muito, havendo textos disponíveis de todos os gabaritos, tanto no Brasil quanto em Portugal. Das traduções brasileiras, a mais antiga – e uma das mais notáveis – é a do maranhense Manoel Odorico Mendes, publicada no século XIX.
Odorico Mendes (São Luís do Maranhão, 24/01/1799 — Londres, 17/08/1864) foi político, editor, polemista e humanista brasileiro, autor das primeiras traduções integrais para português das obras de Homero e Virgílio. É até hoje a única pessoa a ter vertido para a língua portuguesa toda a obra dos dois poetas máximos da Antiguidade Clássica. É considerado, também por isso, como o mais bem acabado humanista do mundo lusófono.
A obra tradutória de Odorico Mendes, lamentavelmente, é desconhecida do grande público brasileiro, a despeito de ter tido, por Haroldo de Campos, como o “pai da transcriação literária no Brasil”.
A tradução de Odorico Mendes, toda em decassílabos (métrica dos Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões), se notabiliza por uma rica escolha lexical e por uma incomum estrutura sintática. Um aspecto essencial que diferencia a obra em relação às traduções mais recentes é o compromisso do autor com a língua portuguesa. Odorico contempla a historicidade do idioma e assim recupera obras canônicas como os Lusiádas, dando nova vida ao vocabulário camoniano.
Bem mais recentes são as traduções de Carlos Alberto da Costa Nunes (1962), de Haroldo de Campos (1993) e do português Frederico Lourenço (2005), todas incomparáveis ao pioneirismo e vigor léxico da tradução de Odorico Mendes.
Matriz literária do Ocidente, a Ilíada de Homero é o mais antigo texto escrito nos limites do Sol-Poente que chegou até nós e, decorridos vinte e nove séculos, continua mais fresco que o jornal que vai sair amanhã. Registrados no então recém-criado alfabeto grego, no oitavo século antes de Cristo, numa Grécia ainda arcaica, porém remontando a uma tradição oral que extrapolava ao infinito este limite e este tempo, os dezesseis mil versos da Ilíada, nas palavras de Haroldo de Campos, nunca decaem, oscilam entre o Pico das Agulhas Negras e o Everest. Tal monumento literário mereceu em todas as línguas modernas ocidentais o esforço dos mais insignes tradutores. O português teve a fortuna de ter do brasileiro Manuel Odorico Mendes (1799-1864), seu mais bem-acabado humanista, segundo José Veríssimo, a primeira tradução completa, vertida diretamente do original grego para a nossa língua, culminando num original português da Ilíada. Outras boas versões vieram, novas virão, oxalá sobejem, explorando e expondo a riqueza e possibilidades oferecidas pelos originais homéricos, mas dificilmente alguma, ou por razões artísticas ou por razões históricas, poderá abalançar-se a este patrimônio cultural dos países de língua portuguesa. A Ilíada de Odorico Mendes sempre representará um tesouro a quem a possua, em que pesem as dificuldades apresentadas pelo texto. Restringir essas dificuldades aos últimos limites de nossa competência, entregando o leitor às delícias do poema, mais que traduzido, transgrecizado, foi o firme propósito desta edição, que traz, a cada verso, uma nota espelhada ao texto.
3.3 ABORDAGEM PARA A DIVULGAÇÃO DO TEXTO
A primeira edição da Ilíada em português data de 1874 (dez anos após a morte de Odorico Mendes), editada pelo maranhense Henrique Alves de Carvalho. Até pouco tempo esgotada no mercado editorial brasileiro, a última
edição conhecida do texto datava da década de 1960 (CLÁSSICOS JACKSON, V. XXI, W. M. Jackson Editores).
Em 2008, após várias décadas de edições esgotadas, foi publicada pela UNICAMP uma nova – mas em tiragem limitada – edição revisada da Ilíada, na tradução de Odorico Mendes, com prefácio e vastas notas explicativas do escritor e lingüista Sálvio Nienkötter.

Sálvio Nienkötter
A Companhia Iliadahomero de Teatro (cujas atividades se desenvolvem no seio da ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ARTÍSTICA ILÍADAHOMERO) tem como um de seus objetivos (inclusive estatutários), ampliar e difundir, mediante políticas próprias ou com apoio de terceiros, o acesso do público aos grandes textos da literatura universal.
Uma das formas precocemente identificadas para a execução prática de tais políticas é a encenação dramática desses textos. Em função das reformas realizadas no ensino brasileiro nas últimas décadas, o acesso às fontes da literatura clássica e da língua portuguesa praticamente desapareceu das escolas, tendo sido trocado por políticas de ensino com foco predominante para a instantaneidade do vestibular ou para solicitações mais utilitaristas do mercado de trabalho.
Em prática desde 1999, a enunciação dramática do texto de Homero e Odorico Mendes pela Companhia Iliadahomero de Teatro se consolidou como um robusto vetor de acesso literário. Técnicas consagradas de enunciação e encenação são capazes de aproximar até mesmo o público sem formação literária da fruição de aspectos essenciais desta obra fundadora da literatura.
Nos cerca de nove anos de apresentações itinerantes da Ilíada pela Companhia Iliadahomero de Teatro, diversos dos XXIV cantos foram encenados (em teatros, auditórios públicos e privados, entidades culturais, galerias de arte, exposições, mostras, estabelecimentos noturnos), no Brasil e fora dele, totalizando expressivo número de espectadores (certamente de milhares).
Seguem imagens das apresentações do texto, desde 1999:

Lori Santos (Curitiba-PR, 2000) – Canto III. Apresentação no Espaço Cultural Beto Batata. 17/12/2000.

Patrícia Reis Braga (Vitória-ES, 2000) – Cantos XXI e XXII

Claudete Pereira Jorge (Wonka Bar, Curitiba, 2005)

Richard Rebelo (Casa do Saber, São Paulo-SP, 2006) – Canto XVI

Claudete Pereira Jorge (Curitiba-PR, 2007) – Canto I

Richard Rebelo (Curitiba-PR, 2007) – Canto XVI
Os links abaixo oferecem imagens da itineração dos cantos da Iliada em teatros e bibliotecas nas performances de Richard Rebelo, Claudete Pereira Jorge, Lori Santos e Patricia Reis Braga.
Biblioteca Mario de Andrade (SP)
http://www6.prefeitura.sp.gov.br/noticias/sec/cultura/2006/08/0012
http://organismo.art.br/blog/?p=1469 <http://organismo.art.br/blog/?p=1470>
Fundação Biblioteca Nacional
http://organismo.art.br/blog/?p=1470
Casa do Saber (SP)
http://organismo.art.br/blog/?p=1488
http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=188
Entrevista com Claudete Pereira Jorge na mostra conSerto
http://video.google.com/videoplay?docid=-8648892101673233597&q=claudete+pereira+jorge&hl=en
em Thessaloniki

http://organismo.art.br/blog/?p=2047
http://organismo.art.br/blog/?p=2162
em Athenas
http://www.reconstruction.gr/en/news_dtls.php/26
em Berlin
http://organismo.art.br/blog/?p=2157
em Skopje
http://organismo.art.br/blog/?p=2121
Todo este histórico de apresentações (das quais estas imagens são mera amostragem), formou ao redor da proponente, nos últimos anos, massa crítica para discussão da obra (e de sua metodologia de apresentação), em debates, saraus literários e rodas de discussão, pessoais ou virtuais, envolvendo profissionais das mais variadas áreas (professores, escritores, poetas, lingüistas, fotógrafos, cartunistas, produtores, editores e outros).

Exemplo de colaboração: Cartaz de um ciclo de apresentações (2006), pelo premiado cartunista Solda.
Em razão disso, nos últimos anos, a proponente vem contando com o afluxo de contribuições oriundas das mais diversas formações e áreas do conhecimento, gerando um sem-número de obras derivadas (registros e ensaios fotográficos e em vídeo, trabalhos ilustrativos, resenhas, cobertura jornalística).
Outro fenômeno foi a aproximação da companhia com outras pesquisas da Ilíada na tradução de Odorico Mendes, como o riquíssimo trabalho de revisão textual, pesquisa semântica e anotação lingüística de Sálvio Nienkötter (editado em 2008 pela UNICAMP) e que foi empregado, nos últimos anos, como material de apoio para formação técnica dos atores e pesquisadores da Companhia Iliadahomero de Teatro (que também será empregado neste projeto).
Exemplo de outras pesquisas da obra: recente edição (Ateie Editorial, 2008) da revisão anotada da tradução da Ilíada de Homero por Odorico Mendes, pelo pesquisador lingüístico Sálvio Nienkötter.
A metodologia prevista para a execução do projeto prevê a formação completa (como divulgadores literários) de um quadro de 24 atores (todos já selecionados e compromissados, como se pode ver adiante), para a apresentação dramática dos XXIV Cantos da Ilíada na tradução de Odorico Mendes e a apresentação itinerante destes atores em bibliotecas públicas de nove capitais brasileiras, na condição de veículos vivos de divulgação textual.
A cada ciclo trimestral de apresentações (cada qual composto por três Cantos de um total de XXIV), os espectadores e o público em geral receberão um veículo impresso de apoio literário (um jornal em formato tablóide), contendo o texto (em domínio público) de cada um dos Cantos previstos para o respectivo ciclo, acompanhado de resenhas, glossários, textos e outras obras derivadas e correlatas.
Ao final dos dois anos de projeto, os espectadores e o público em geral que tiverem colecionado tais jornais terão em mãos milhares de edições completas (e gratuitas) da Ilíada de Homero, na tradução de Odorico Mendes, obra há muito indisponível e esgotada no mercado editorial brasileiro.

Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional e Ilce Cavalcanti – Cordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas durante Simpósio na FBN
3.4 CONTEXTO DO PROJETO NO SNBP
“Promover a melhoria do funcionamento da atual rede de bibliotecas, para que atuem como centros de ação cultural e educacional permanentes”; “Favorecer a ação dos coordenadores dos sistemas estaduais e municipais, para que atuem como agentes culturais, em favor do livro e de uma política de leitura no país” e “Firmar convênios com entidades culturais, visando a promoção de livros e de bibliotecas”.
E aqueles que, adicionalmente, tiverem tido o privilégio de assistir às apresentações dramáticas dos XXIV Cantos nas bibliotecas participantes terão sido destinatários de uma política de incentivo à leitura original e inovadora (paradoxalmente, sob a forma como se acredita que a Ilíada era divulgada nos tempos da tradição oral), recebendo formação suficiente para atuarem como agentes reverberadores do texto em suas próprias comunidades e ampliando, de forma incalculável, os efeitos de tal política de incentivo.
Após diversas apresentações, nos últimos anos, em auditórios de bibliotecas brasileiras, como a Biblioteca Pública do Paraná, a Biblioteca Mário de Andrade, a Biblioteca Nacional e outras, percebeu-se que, para ampliação dos trabalhos já existentes e apresentação completa dos XXIV Cantos da Ilíada, as bibliotecas integrantes do SNBP – SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS seriam, intuitivamente, o território ideal para o florescimento de tais trabalhos de divulgação literária.
É sabido que o SNBP, instituído pelo Decreto Federal n. 520/92, tem como objetivo principal o fortalecimento das bibliotecas públicas do país, assumindo, como pressuposto básico para o desenvolvimento de suas ações, a função social da biblioteca pública.
Tal pressuposto leva a concluir que cabe à biblioteca pública, enquanto centro de informação e leitura, usar a informação como instrumento de crescimento pessoal e de transformação social.
Naturalmente, a atuação do SNBP no âmbito das bibliotecas públicas brasileiras só se faz possível mediante processos sistêmicos, voltados para a interação e integração de tais bibliotecas em âmbito nacional.
O projeto ora apresentado se insere de forma indiscutível nesta perspectiva, pois visa levar ao público usuário das bibliotecas públicas de nove importantes capitais brasileiras – de forma integrada e sistêmica – um único projeto de incentivo à leitura de obra fundamental da literatura universal.
4 HISTÓRICO DAS ATIVIDADES DA PROPONENTE
Os antecedentes históricos dos trabalhos de pesquisa literária e teatral da Companhia Iliadahomero de Teatro remontam a 1999.
Como preliminar à pesquisa da obra tradutória de Odorico Mendes, ocorreu uma apresentação do projeto “Ao Redor da Mesa”, no Teatro Paiol, em Curitiba-PR, em 1999, quando, dentro de um conjunto de pequenas peças de teatro musical, Octávio Camargo fez uma leitura dramática de um fragmento das Geórgicas, de Virgílio, traduzida pelo poeta Jacques Brand, que havia sido recentemente publicada no livro Brisais.
A enunciação daquele texto, abordada sob um ponto de vista musical e sonoro, decorreu também das pesquisas que Camargo desenvolvia, naquela época, com o texto de Luiz Vaz de Camões, Os Lusíadas, numa adaptação de fragmentos desta epopéia falada simultaneamente a uma suite de J. S.Bach ao violão.
O estudo da obra de tradução de Odorico Mendes da Ilíada de Homero surgiu como uma decorrência natural desta pesquisa, principalmente pela importância deste texto na literatura universal e, secundariamente, pelos aspectos fonéticos e sonoros contidos em suas traduções.
A partir de dezembro de 1999, portanto, iniciaram os primeiros ensaios com atores convidados.
Nesse período inicial, diversos cantos foram estudados pelos seguintes atores: Richard Rebello (Canto XVI), Patricia Reis Braga (Cantos XXI e XXII), Simone Spoladore (Canto XVII), Cristiane de Macedo (Canto II), Lori Santos (Canto III), Katia Horn (Canto XIII), Fabiana Ferreira (Canto XIX), Leticia Guimarães (Canto XVIII), Eliane Campelli (Canto XIV), Celia Ribeiro (Canto VIII), Lala Scremim (Canto IV), Pita Belli (Canto XV) e Andressa Medeiros (Canto XXIV). Este primeiro conjunto de atores estudou e ensaiou integralmente seus respectivos monólogos (totalizando 14 dos 24 cantos da Ilíada) neste período, em apresentações privadas, até 2002.
Ao longo do mesmo período, outro grupo de atores também teve contato com o texto e seus demais cantos, ainda que com menor intensidade que o primeiro grupo. Foram eles: Tupaceretã Mateus (Canto XII), Thaís Tedesco (Canto X), Mauro Zanatta (Canto VI), Fernanda Farah (Canto VII), Chiriz Gomes (Canto XI) Altamar (Canto XV), Marli Gott (Canto XXIII).
Finalmente, um terceiro grupo de atores, naquele mesmo período inicial, demonstrou interesse preliminar no trabalho: Luiz Felipe Leprevost (Canto V), Leticia Sabatella (Canto XX), Guta Stresser (Canto IX), Silvia Natureza (Canto XXI), Gilda Elisa (Canto XXIII), Zeca Cenovicz (Canto XXIII).
Em abril de 2000, foi realizada a primeira apresentação oficial e pública da Companhia Iliadahomero de Teatro, em um encontro de Secretários de Cultura, em Faxinal do Céu-PR. Naquela oportunidade, Octavio Camargo fez uma leitura integral do Canto I da Ilíada, num domingo, às 8 horas da manhã.
Em 17 dezembro de 2000, foi feita a primeira apresentação pública conjunta de quatro cantos da Ilíada: Octavio Camargo (Canto I), Lori Santos (Canto III); Richard Rebello (Canto XVI) e Patricia Reis Braga (Cantos XXI), no Espaço Vultural Beto Batata, em Curitiba/PR.
É oportuno anotar que, ao longo desse mesmo período, estavam em andamento os trabalhos de revisão e anotação da tradução da Ilíada de Odorico Mendes, elaborada por Sálvio Nienkötter, pesquisador lingüístico independente de Curitiba, que vem acompanhando os trabalhos da Companhia Iliadahomero de Teatro desde seus primórdios.
Frei Beto durante ensaio da Cia. Iliadahomero no Espaço Cultural “Venda”, em Curitiba – 2009
Em vista das dificuldades e peculiaridades da obra tradutória de Odorico Mendes, referido trabalho de revisão foi empregado, nos últimos anos, por vários dos atores iniciais para a contextualização lingüística de cada um dos cantos estudados e, após devidamente licenciado, servirá de material de apoio para a formação dos atores e divulgadores textuais no âmbito deste projeto.
A segunda apresentação do mesmo conjunto de Cantos aconteceu em março de 2001, na Reitoria da UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (Sala Homero de Barros, Ed. Dom Pedro II, Curitiba-PR). Naquela ocasião, os cantos foram apresentados em quatro sessões, de terça a sexta, um canto por noite, precedidos de uma fala introdutória do professor do Departamento de Línguas Clássicas da UFPR, Alexandre Moura.
Estas apresentações, subseqüentemente, resultaram em um contato feito com os organizadores de um encontro de Literatura Clássica, que aconteceu em Ouro Preto-MG, também em 2001, no qual Patricia Reis Braga fez uma apresentação do Canto XXI.
Tal pesquisa resultou em uma reedição do texto revisado da Ilíada de Homero, na tradução de Odorico Mendes, publicada em 2008 pelo selo Atelier Editorial, da UNICAMP (ISBN 8574803936).
Nos anos de 2001 e 2002, Patricia Reis Braga fez apresentações do Canto XXI em Joinville-SC, no Festival de Monólogos de Fortaleza-CE e na Academia Maranhense de Letras, em São Luís-MA.
No final do ano de 2001, foi feita uma apresentação destes mesmos quatro cantos na cidade de São Paulo-SP, em sarau organizado por Gavin Adams, em sua própria residência. Estavam presentes atores e diretores de teatro, entre eles, Fernando Kinas e Giovana Soar. Nesta primeira viagem oficial da Companhia Iliadahomero de Teatro, Sálvio Nienkötter preparou edição especial de suas anotações à Ilíada de Odorico Mendes, relativa aos cantos que seriam apresentados. Participaram desta expedição Octávio Camargo, Sálvio Nienkötter, Gisele Nienkötter, Lori Santos e Richard Rebello. Patricia Reis Braga, que também se apresentou, residia em São Paulo-SP naquele período.
A partir de 2003, Patricia Reis Braga também passou a estudar e desenvolver o Canto XXII, em diálogo com Sálvio Nienkötter, iniciando o ciclo de apresentações “Ao Sol de Homero”. Outras apresentações incluem:
Ao longo do mesmo período, Sálvio Nienkötter também dirigiu algumas apresentações de textos relacionados com a Ilíada em colégios e espaços teatrais de Curitiba.
Em 2004, iniciou-se o trabalho de pesquisa do Canto I da Ilíada com a atriz Claudete Pereira Jorge. A primeira apresentação se deu cerca de um ano depois, no final de 2005, no Wonka Bar, em Curitiba. Nesse mesmo dia, Sálvio Nienkötter também apresentou fragmentos do Canto I.
Nos anos subseqüentes (de 2005 a 2007), as apresentações do quarteto de atores formado por Patricia Reis Braga, Claudete Pereira Jorge, Richard Rebello e Lori Santos (os mais avançados no estudo da obra tradutória de Odorico Mendes) se sucederam, nos mais variados locais e contextos:
Estruturação jurídica e institucional da Companhia Iliadahomero como associação civil sem fins lucrativos. Eleição de primeira diretoria e estabelecimento de suas diretrizes;
De volta ao Brasil, a Companhia Iliadahomero promoveu uma apresentação do Canto XVI, por Richard Rebello, no Act Espaço Teatral, em Curitiba-PR e uma apresentação do Canto I, por Claudete Pereira Jorge, na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro-RJ, em dezembro de 200710 11. Após estas apresentações, desenvolveram-se, ao longo do de 2008, os trabalhos de:A artista Katia Horn também apresentou trechos do monólogo por ela ensaiado em alguns eventos. O professor de literatura e pesquisador literário Paulo Bearzoti trouxe importantes contribuições nos anos de 2006 e 2007, propiciando aprofundamento de pesquisa dos “The Cantos”, de Ezra Pound, além de experimentações de enunciação oral de alguns fragmentos da Odisséia, de Homero, na tradução de Odorico Mendes.
Em 2009, a convite do Instituto Brasileiro de Museus, O ator Richard Rebelo apresentou o Canto XVI no salão nobre do Museu da República, RJ, por ocasião da comemoração do Dia Internacional dos Museus.

São estes trabalhos, desenvolvidos ao longo dos últimos meses (e fruto de experiência e estudos acumulados desde 1999, aqui relatados), que resultam no projeto ora proposto.
5 VIABILIDADE DO PROJETO NO TOCANTE ÀS REGRAS DO PRONAC E DO SNBP
O presente projeto é absolutamente viável no que se refere às regras específicas dos mecanismos públicos de apoio e incentivo à cultura e, adicionalmente, no que se refere às regras específicas do SNBP.
Em primeiro lugar, o projeto atende os princípios gerais dispostos no art. 1º da Lei Federal 8313/91, que instituiu o PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura.
Sim, pois trata-se de projeto que contribui “para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais” (inc. I), preserva “os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro” (inc. VI), desenvolve “a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações” (inc. VII), estimula “a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória” (inc. VIII) e prioriza “o produto cultural originário do País” (inc. IX).
Incentivar a leitura da Ilíada de Homero – obra fundamental da cultura ocidental – pelo público brasileiro é, obviamente, uma forma óbvia de desenvolver a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações, bem como estimula a difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória.
Fazê-lo mediante a divulgação da obra tradutória do Século XIX do maranhense Manoel Odorico Mendes (pioneira em língua portuguesa) implica, evidentemente, em priorizar o produto cultural originário do país e em preservar um bem imaterial do patrimônio cultural e histórico brasileiro.
Finalmente, executar tal política por meio da apresentação itinerante desta obra, ao longo de dois anos, em bibliotecas públicas de nove capitais brasileiras (representativas de todas as suas regiões: Sul, Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste) é, naturalmente facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais.
Por sua vez, o Decreto Federal 520/92 (que instituiu o SNBP, sistema de bibliotecas públicas no âmbito do qual o projeto se desenvolverá) contém princípios gerais que – não só permitem – como recomendam o apoio a iniciativas como a deste projeto.
Observe-se que o artigo 1.º do decreto instituidor do SNBP preceitua que um dos objetivos do sistema é o de “favorecer a formação do hábito de leitura, estimulando a comunidade ao acompanhamento do desenvolvimento sócio-cultural do País”.
Já o artigo 2.º diz que o SNBP tem como objetivos “promover a melhoria do funcionamento da atual rede de bibliotecas, para que atuem como centros de ação cultural e educacional permanentes” (inc. II) e “favorecer a ação dos coordenadores dos sistemas estaduais e municipais, para que atuem como agentes culturais, em favor do livro e de uma política de leitura no País” (inc. VII).
Sem sombra de dúvida, um projeto que, ao longo de dois anos culminará em 216 apresentações dramáticas dos 24 Cantos da Ilíada de Homero nas bibliotecas públicas de 9 capitais brasileiras e, adicionalmente, na entrega gratuita ao público, de 90.000 edições (colecionáveis em 8 fascículos) da obra (em domínio público, mas de acesso quase impossível à comunidade), favorece a formação do hábito da leitura e transforma a rede de bibliotecas em centros de ação cultural, em favor do livro e de uma política de leitura no país.
A aprovação do projeto no PRONAC poderá contar com o apoio do próprio SNBP/FBN – ente destinatário do plano de incentivo à leitura ora descrito – na avaliação e análise do mesmo.
De acordo com os artigos 3.º, IV e 29 do Decreto 1494/95 (que regulamenta o PRONAC e estabelece a sua sistemática de execução), a FBN é “entidade supervisionada da SEC/PR” (a partir da Lei 8490/92 convertida em MinC) e tem como competência analisar projetos cujo segmento seja “patrimônio Cultural: bibliotecas, arquivos e demais acervos, livro e incentivo à leitura”, como é justamente o caso.
A análise deste projeto pelo SNPC/FBN está prevista, também, no item IV, 6.0, letra “c.a” da Instrução Normativa 001/92, exarada pela Secretaria Executiva do Ministério da Cultura e que dispõe sobre os procedimentos de acompanhamento, controle e avaliação a serem adotados na utilização dos benefícios fiscais instituídos pela Lei nº 8.31391.
6 OS 24 DIVULGADORES TEXTUAIS PRÉ-SELECIONADOS (E JÁ COMPROMISSADOS POR ESCRITO) PARA AS APRESENTAÇÕES PREVISTAS NESTE PROJETO
A proponente já pré-selecionou os 24 atores destinados a atuarem como divulgadores textuais nas apresentações dramáticas dos XXIV Cantos da Ilíada de Homero, conforme previsto neste projeto.
Todos os atores, inclusive, já assinaram termos de compromisso (documentos anexos) que provam sua irrestrita disponibilidade para estudarem e apresentarem cada parte do texto, nos dois anos de duração total do projeto.
Ressalte-se que os 24 atores acima referidos – todos de indiscutível renome, alguns com trabalhos em grandes companhias teatrais, no cinema ou em cadeia de televisão – já se encontram compromissados com a sua participação no projeto, haja vista a seriedade de propósitos da proponente e a respeitabilidade pública por esta conquistada com seu histórico de atividades.
A estratégia de ação do projeto ora apresentado (descrita no próximo capítulo) não prevê, adiante-se, a dedicação exclusiva e integral dos 24 atores ao longo de um período total de dois anos. Se esta fosse a fórmula, o projeto seria certamente inexeqüível, seja em função de cachês (a totalidade desses atores tem carreiras profissionais bem definidas, nem todos moram em Curitiba e alguns deles possuem contratos fixos com grandes companhias teatrais, participam de produções cinematográficas ou estão vinculados contratualmente a redes de televisão de SP e do RJ, etc.), seja em função da logística necessária para administrar, por 24 meses, 24 operações distintas, em 9 cidades brasileiras.
Para fins de entendimento deste projeto e melhor contextualização da obra, segue abaixo um resumo sintético dos XXIV Cantos da Ilíada em leituras com os 24 atores participantes:

Canto I: É o décimo ano da guerra de Tróia. Aquiles e Agamémnom se desentendem devido a disputa sobre uma jovem cativa.
Claudete Pereira Jorge – Canto I
Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:

Canto II: Odisseu impede uma revolta e os gregos se preparam para um ataque a Tróia.
Christiane de Macedo – Canto ll
Deuses e campeões a noite os lia;
Só vela o Padre, a ruminar de que arte
Levante Aquiles e escarmente os Gregos.
A Agamêmnon soltar por fim resolve
Um maléfico Sonho, e o chama e apressa:
“Voa, Sonho falaz, do Atrida às popas;
Quanto prescrevo, exato lho anuncia:
Que arme os crinitos Graios e as falanges,
De extensas ruas a cidade expugne”

Canto III: Páris desafia Menelau para um duelo, propondo decidir o destino da guerra. Menelau vence, mas Páris sobrevive, salvo por Afrodite.
Lori Santos – Canto III
Sabei de mim, Dardânios
E Aqueus de fina greva, o que Alexandre
Propõe, da guerra autor. De parte a parte
Largadas no almo chão fulgúreas armas,
Menelau marcial a sós com ele
Dispute Helena; o vencedor aceite
E reconduza a dama e os seus tesouros;
Nós outros aliança e paz firamos.”

Canto IV: O pacto é quebrado pelos troianos e a guerra recomeça.
Lala Scremin – Canto IV
Em consulta com Jove recostados,
Néctar Hebe louçã tempera aos deuses
Na régia de áureo solho, e de áureas taças
Mutuam brindes a atentar em Tróia.

Canto V: Diomedes, ajudado por Palas Atena, realiza prodígios, ferindo Afrodite e Ares.
Luiz Felipe Leprevost – Canto V
A Diomedes robora e esforça Palas,
Para que ele se exalce e em fama cresça.
Indefesso arde-lhe o elmo, arde-lhe o escudo:
Como a estrela outonal que mais cintila
Banhada no Oceano, áscuas de fogo
Da cabeça e dos ombros lhe flamejam.
Ao denso do tumulto o impele a deusa.

Canto VI: Heitor retorna a Tróia para pedir que se tente apaziguar Palas Atena. Encontra-se com esposa e filho e retorna à batalha junto de seu irmão Páris.
Mauro Zanatta – Canto VI – link para página pessoal de Mauro
Sós na lide os mortais, de parte a parte
Ígneo furor aqui e ali se ateia;
Nos dois campos graniza, arremessada
Entre o Símois e o Xanto, ênea procela.
Ajax, da Grécia muro, escala a Tróica
Falange, e livra os seus do Eussório Acamas,
Dos Traces o maior, mais formidável:
Dardo pelo cocar de espessa crina
O osso varou da testa, e em feral treva
Os lumes lhe apagou.

Canto VII: Heitor duela com Ajax. A luta empata, interrompida pela noite.
Helena Portela – Canto VII
Assim, das portas rui Heitor mais Páris,
Ambos a respirar bélico incêndio:
Com tanto anelo festejados foram,
Como o vento que um deus bafeja amigo
Do afã do remo a nautas quebrantados.

Canto VIII: Os deuses se retiram da batalha.
Célia Ribeiro – Canto VIII
Ao desdobrar seu manto a crócea Aurora,
No vértice do Olimpo cumioso
Junta o Fulminador a etérea corte;
Acena, e escutam-no: “O que em mim resolvo,
Celícolas, sabei; nem deus, nem deusa
Renua, mas unânimes concorram
Para os projetos meus cumpridos serem.”

Canto IX: Agamémnom tenta se reconciliar com Aquiles, mas este recusa.
Guta Stresser – Canto IX
Ronda-se a praça. Os Dânaos sobre-humano
Abalo invade, irmão de frio medo;
Agro luto os fortíssimos domina.

Canto X: Diomedes e Odisseu saem em espionagem e atacam o acampamento troiano.
Thais Tedesco – Canto X
Liga os demais a noite em mole sono;
Em claro a passa o rei de tantas gentes,
Gravíssimos cuidados ruminando:
Qual de Juno pulcrícoma o consorte
Lampeja crebro, se aguaceiro ajunta,
Granizo ou neve que embranqueça as lavras,
Ou se abre à guerra amarga as fauces negras.

Canto XI: Páris fere Diomedes, e Pátroclo fica sabendo da desastrosa situação grega.
Chiris Gomes – Canto XI
Surgindo a Aurora do Titônio leito,
O globo e os céus alumiava, quando
Jove a nera Discórdia às naus despede;
A qual da guerra sacudindo o facho,
Parou no centro, na de Ulisses, donde
Em tendas e baixéis ouvida fosse
De Aquiles e de Ajax, que aos dois extremos,
No seu valor seguros, alojavam.
Tupaceretan Matheus – Canto XII

Canto XIII: Poséidon se apieda dos gregos e os motiva.
Katia Horn – Canto XIII – link para página pessoal de Katia
Jove, Heitor já na praia, deixa aos Teucros
A angústia e o peso; aos Traces cavaleiros
Fúlgidos olhos volve, aos Hipomolgos
Glatófagos longevos, aos rompentes
Mísios, Ábios justíssimos dos homens;
Nem pensou que imortal algum viesse
Favorecer a Gregos ou Troianos.

Canto XIV: Hera adormece a Zeus, permitindo a reação grega.
Eliane Campelli – Canto XIV
Entre o beber sentiu Nestor o estrondo:
“Que será, grita, ó nobre Esculapides?
Perto a voz cresce de alentados jovens.
Liba tu roxo vinho, enquanto aquece
A de louras madeixas Hecamede
Banho em que lave da ferida os grumos:
Vou da atalaia examinar o caso.”
Gilda Elisa – Canto XVI

Canto XVI: Pátroclo pede a armadura a Aquiles e permissão para entrar na luta. Aquiles
concede, porém Pátroclo é morto por Heitor.
Richard Rebelo - Canto XVI – link para página pessoal de Richard
Da nau fervia o prélio, e ao divo Aquiles
Vem Patroclo a verter cálido choro,
Como de celsa rocha em fio brota
Fundo olho d’água.

Canto XVII: Há uma disputa pelo corpo e armadura de Pátroclo. Heitor fica com a
armadura e Ajax com o corpo.
Simone Spoladore – Canto XVII – link para página de Simone no Wikipédia
Menelau, no conflito percebendo
Que jaz Patroclo, a proteger seu corpo
Entre a vanguarda marcha erifulgúreo:
Qual gemente primípara novilha
Meiga cerca o filhinho, o louro Atrida
Pugnaz, de hasta e rodela, ameaça firme
A quem se apropinquar.

Canto XVIII: Aquiles descobre a morte de Pátroclo, e sua mãe providencia uma armadura.
Letícia Guimarães - Canto XVIII – link para página pessoal de Leticia
Arde a peleja, e Antíloco despede.
No já completo a meditar, Aquiles
Ante as naus esporadas suspirava
Dentro em sua alma nobre: “Hui! por que os Dânaos
Turbados pelo campo as naus procuram?”

Canto XIX: Aquiles, de armadura nova e reconciliado com Agamémnom, se junta à guerra.
Zeca Cenovicz – Canto XIX
Do fluente Oceano a crócea Aurora
Surgindo, homens e deuses alumia;
E às naus Tétis baixando, o seu dileto
Em soluços encontra e os companheiros,
Que em torno de Patroclo o lamentavam;
Pega da mão do filho a clara déia:
“Do céu vontade foi; bem que saudosos,
Deixemo-lo em descanso, amado Aquiles.
Tu Vulcânias recebe ínclitas armas,
Quais não coube a varão jamais vesti-las.”

Canto XX: Batalha furiosa, da qual participam livremente os deuses.
Letícia Sabatella – Canto XX – link para página de Letícia no Wikipédia
Enquanto com o herói sedentos Graios
Se armam na frota, e na colina os Teucros,
Do Olimpo sinuoso expede Jove
Têmis, que gira tudo e chama os deuses
À Dial corte: menos o Oceano,
Rio algum não faltou, nem faltou ninfa
Que bosque habite ou fonte ou prado ervoso.

Canto XXI: Aquiles chega aos portões de Tróia
Patrícia Reis Braga – Canto XXI
Da riba entanto se despenha Aquiles;
Mas, qual touro mugindo e a revolver-se,
Túmido o Xanto os apinhados mortos
De si furioso expele, esconde os vivos
Na alva corrente e vórtices profundos,
E o voraz homicida escarcéus turvosCerram,
batem no escudo, os pés lhe embargam.

Canto XXII: Aquiles duela com Heitor e o mata. A seguir, desonra seu cadáver, arrastando-o ao acampamento grego.
Ranieri Gonzalez – Canto XXII
Quê! Deliras, minha alma? Eu suplicante!
Sem mais dó nem resguardo, a mim sem armas,
Qual imbele mulher, há-de imolar-me.
Do rochedo e carvalho não é tempo
De lhe ir falar como donzela e moço,
Quando moço e donzela entre si falam.
Combater, investir: saiba-se, e presto,
A quem o Olímpio agora entrega a palma.”

Canto XXIII: Pátroclo é velado adequadamente.
Marly Gott – Canto XXIII
Gemia a grã cidade, e pelas praias
Do alto Helesponto às naus se encaminhavam.
Sem dispersar os Mirmidões, Aquiles:
“Équites caros, disse, os corredores
Não soltemos; de coche, ao morto vamos
O tributo de lágrimas pagar-lhe.
Assim que em ais ali desafogarmos,
Desatem-se os cavalos e ceemos.”

Canto XXIV: Príamo pede o cadáver do filho a Aquiles que, comovido, cede. Heitor é devidamente velado em Tróia.
Andressa Medeiros – Canto XXIV
Findo o certame, às naus dispersos correm;
Cuidam na ceia, em brando sono pegam.
Reluta à quietação, que enleia a todos,
O Pelides saudoso a revolver-se,
Ou supino, ou de bruços, ou de ilharga;
Lembra-lhe a valentia, o ardor daquele
Com quem tanto empreendeu, curtiu fadigas,
Em duro marte, em perigosos mares,
6.1 ORGANOGRAMAS FUNCIONAIS DO PROJETO
A direção geral desta equipe de atores será de responsabilidade de Octávio Camargo, responsável pela gênese, concepção e idealização da Companhia Iliadahomero de Teatro (e deste projeto) como um todo e pela tutela dos trabalhos da companhia, em suas etapas embrionárias e ao longo dos últimos nove anos.
Adicionalmente, concebeu-se como premissa metodológica de formação da equipe completa de atores, que quatro dos 24 atores – os mais experientes e antigos na pesquisa do texto – além de apresentarem, de forma itinerante, seus respectivos Cantos, atuarão, simultaneamente, como assistentes de direção de Octávio Camargo, sendo também responsáveis pela formação dos 20 demais atores como divulgadores textuais da Ilíada de Homero.
As contrapartidas do projeto, ao cabo de sua realização, terão sido:
Implementação de política de incentivo à leitura de uma obra clássica da literatura em 9 estados brasileiros, nas bibliotecas públicas integrantes do SNBP, com inquestionáveis ganhos para o interesse público e para a instituição parceira (SNBP).
Pioneira apresentação dramática da Ilíada, em sua versão completa e em português (traduzida por um brasileiro), em 216 apresentações, para público estimado de 30 mil pessoas, em dois anos.
Formação destas 30 mil pessoas como agentes reverbadores e disseminadores desta obra literária.
Criação e manutenção, por dois anos, de poderoso veículo cultural extracurricular para
professores e escolas das 9 cidades, integrando tais profissionais e escolas com a biblioteca, ao redor desta obra, possibilitando obras derivadas (pesquisas escolares, discussões, debates, etc.)
Impressão e distribuição, ao longo de dois anos de 720.000 jornais (8 tiragens trimestrais de 90.000 exemplares cada) da Ilíada de Homero, na tradução de Odorico Mendes (texto em domínio público, mas esgotado no mercado editorial), as quais, se colecionados os fascículos (cada qual contendo os 3 cantos do trimestre), formarão 90.000 Ilíadas completas (24 Cantos), livremente distribuídas ao público participante e aos usuários das bibliotecas.
Contrapartida indiscutível para as empresas que, mediante lei de incentivo, viabilizarem
a promoção desta política de incentivo à leitura de texto clássico da literatura, apresentado em nove cidades brasileiras por atores de relevância e renome nacionais. Associação direta de suas marcas e de suas imagens em milhares de jornais (contendo a obra completa), postais de divulgação (que poderão circular pelo correio), cartazes, Internet, jornais e em documentação audiovisual final.
Possibilidade de edição da documentação audiovisual (fotografia e vídeo) para formação de acervos das bibliotecas e videotecas integrantes do SNBP (todas as do Brasil, não apenas as participantes do projeto). Exemplo: Coleção completa de DVD´s da Ilíada de Homero em apresentações dramáticas, em português, para acessibilidade da obra por portadores de necessidades especiais, inclusive cegos ou pessoas impedidas de ler livros em razão de dificuldades de locomoção.
CONCLUSÃO
Com confiança na sua plena seriedade (fruto de nove anos de boas experiências acumuladas pela proponente), apresenta-se, portanto, em singelas pinceladas, o plano de trabalho do projeto bianual de apresentações itinerantes, nas bibliotecas públicas de nove capitais brasileiras, da Ilíada de Homero na tradução de Odorico Mendes.
Este projeto será apresentado ao PRONAC subseqüentemente à avaliação preliminar de sua viabilidade e possibilidade pelo SNBP-FBN (enquanto entidade supervisionada), para posterior captação de recursos pela Lei Rouanet.
ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ARTÍSTICA ILÍADAHOMERO
& COMPANHIA ILÍADAHOMERO DE TEATRO

Busto com as feições presumidas de Homero.