Arquivo para a categoria 'apresentações de cantos'

06
Jun
09

semana de letras da ufpr – patricia reis braga – canto xxii – universidade federal do paraná – centro de filosofia, ciências e letras – 29/05/09

foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09d
Edifício histórico da UFPR, visto a partir do 12 andar do edificio D. Pedro I – Reitoria – Curitiba.

O encerramento da Semana de Letras da UFPR contou com a apresentação do Canto XXII da Ilíada por Patricia Reis Braga.  A performance aconteceu no Anfiteatro do Setor de Letras Vernáculas no 11 andar do Edificio D. Pedro I da Reitoria.

foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09b

Alessandro Rolim de Moura, doutor em letras clássicas pela Universidade de Oxford  e professor de literatura grega e latina na UFPR, fez uma breve introdução ao Canto XXII apresentando uma sinopse dos principais momentos da narrativa.

patriciareisbraga_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09b

Apesar das súplicas de Príamo e Hécuba para que não enfrentasse Aquiles e retornasse para dentro dos muros da cidade, o herói troiano, movido por brio e coragem, decide não se esquivar ao combate e parte em direção à morte.

“Heitor, que fazes?
Sem auxílio a tal monstro não te oponhas;
Longe em forças te excede, e vai matar-te.
Oh! Quanto a mim fosse ele aos deuses grato,
Que, sendo em breve a cães e abutres cevo,
Este meu coração consolaria!
Trucidando ou vendendo em longes terras
Filhos tantos e tais, privou-me deles;
Nem Licaon enxergo e Polidoro,
Que Laotoe me pariu formosa e casta:
Se estão nos arraiais, com ouro e bronze,
De Altes famoso à filha inteiro dote,
Os remiremos; se a Plutão baixaram,
Dor é minha e da mãe que os procriamos;
Será breve a do povo, se de Aquiles
Não te prostra o furor. Entra, meu filho,
Não lhe dês glória tanta; para esteio
De Tróia te reserva e das Troianas.
Pena há de mim que, são de mente ainda,
Sinto no cabo da velhice males
Por Jove amontoados: filhos mortos,
Filhas cativas, tálamos corruptos,
No tropel a esmagarem-se crianças,
Noras de rojo em brutas mãos profanas,
Quiçá, de alma arrancada a brônzeo fio,
Cães ao portal em peças me devorem,
Guardas que à minha mesa eu nutri mesmo,
E em meu sangue apagando a raiva e a gana,
Se espojem no vestíbulo! Em batalha
Jazendo um moço, lhe aparece tudo
Nédio e composto; mas, defunto um velho,
Já de cabeça branca e branca barba,
De vergonhas à mostra, o lacerarem
Torpes cães… Oh! Miséria das misérias!”

patriciareisbraga_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09a

O drama narrado pela Iliada chega à seus momentos finais neste canto: O combate entre Aquiles e Heitor cifra o desfecho da guerra de Tróia. Após correr três vezes ao redor dos muros da cidade, Heitor decide enfrentar Aquiles com o apoio de seu irmão Deifobo. Palas Atenas, no entanto, o enganara, assumindo as formas do irmão e desaparecendo no momento crucial da luta. Aquiles mata Heitor e recusa-se a entregar o corpo aos troianos.

“Ai! Se entro agora,
Mo exprobrará primeiro Polidamas,
Que a recolher a gente aconselhou-me,
A noite em que aziago alçou-se Aquiles.
Fora melhor; a pertinácia minha
Danou do povo a causa! Os nossos temo
E as Troianas de peplos roçagantes;
Ouço em roda: – Ei-lo Heitor, que temerário
O exército perdeu! – Di-lo-ão por certo.
Mais vale ou triunfar do imano Aquiles,
Ou morrer pela pátria em luta honrosa.
E se elmo e escudo e lança ao muro encosto,
E indo encontrá-lo, dar prometo Helena,
Motivo desta guerra, e o que Alexandre
Nos trouxe em cavas naus, para os Atridas,
Para os outros Aqueus o que Ílio encerra;
Que de ancião com firmeza os Teucros jurem
Nada ocultar, e dividir ao meio
Quanta riqueza esconde a grã cidade…
Quê! Deliras, minha alma? Eu suplicante!
Sem mais dó nem resguardo, a mim sem armas,
Qual imbele mulher, há-de imolar-me.
Do rochedo e carvalho não é tempo
De lhe ir falar como donzela e moço,
Quando moço e donzela entre si falam.
Combater, investir: saiba-se, e presto,
A quem o Olímpio agora entrega a palma.”

patriciareisbraga_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09d

Andrômaca, vendo Heitor morto em frente às muralhas troianas, chora a perda do marido, e desespera-se ao vislumbrar o futuro de seu filho Astiánax.

“Heitor, ai! Triste,
Com fado igual nascemos, tu nos paços
Do rei Príamo em Tróia, eu na Tebana
Hipóplaco selvosa, onde criou-me
De menina Eetion para infortúnios,
E antes me não gerasse! Ora ao subtérreo
Orco desces profundo, e em luto e nojo
No viúvo aposento me abandonas;
Nem do nosso filhinho és mais o arrimo,
Nem ele o teu será. Da crua guerra
A escapar, não se escapa à desventura;
Mudado o marco, o esbulharão do prédio.
O pupilo no dia da orfandade
Perde os jovens amigos: baixo o rosto,
Água nos olhos, se o do pai segura,
Um pela túnica, outro pela capa,
Indigente é repulso; o mais piedoso
Bebida num copinho lhe escanceia,
Que os beiços banha e o paladar não molha.
O que possui os genitores ambos,
Fero da mesa o expulsa, espanca e enxota:
-Sai, conosco teu pai já não convive. -
Tal há-de vir choroso à mãe viúva
O infante meu, que aos paternais joelhos
Com tutanos de ovelha se nutria,
E lasso de brincar, entregue ao sono,
Da nutriz afagado ao brando colo,
Contente em mole berço adormecia.
Órfão, misérias sofrerá meu filho,
Que Astianax os nossos denominam,
Porque eras, nobre Heitor, único apoio
Destas muralhas. Ante as naus rostradas,
Longe dos pais, hão-de roer-te vermes,
Depois que nu te comam cães raivosos,
A ti, que hás finas e elegantes vestes,
Por tuas servas e por mim tecidas.
Já que para a mortalha nem te servem,
Em honra tua ao fogo vou queimá-las,
Dos Teucros em presença e das Troianas.”

patriciareisbraga_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09e

O canto encerra com tristeza e luto geral dos troianos pela perda de seu maior herói e principal defensor.

“As mulheres ao pranto ecos faziam.”

foto_gilsoncamargo_iliadahomero_ufpr_reitoria_29_05_09a

Fotos: Gilson Camargo

15
Mai
09

dia internacional dos museus – richard rebelo – canto XVI – museu da república / rio de janeiro

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica120
No teto do Palacio do Catete, decorado em estilo neoclássico, a representação do encontro dos Deuses no Olimpo, com Apolo ao centro.

O Museu da República abriu excepcionalmente nesta segunda-feira, dia 18 de maio, para a apresentação do Canto XVI da Ilíada de Homero na tradução de Manuel Odorico Mendes, no dia Internacional dos Museus. A performance teatral com o ator Richard Rebelo aconteceu no Salão Nobre do museu, às 20h.

richardrebelo_riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica409

O projeto Homero nos Museus está sendo realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM, mandato do deputado federal Angelo Vanhoni e Associação Cultural e Artística Iliadahomero. O objetivo é difundir os valores da cultura oral e sua força transformadora da sociedade, estimulando a leitura dos textos clássicos e facilitando o acesso às matrizes literárias do Ocidente. A tradição da poesia épica grega sobreviveu graças à oralidade e as apresentações dos rapsodos até que pudesse ser finalmente escrita ou compilada por Homero no séc. VII antes de Cristo. Esta “contação de histórias” foi responsável pela transmissão dos valores fundamentais da cultura ocidental e permanece viva até hoje. Nas palavras de Platão “Homero educou a Grécia” podemos perceber a importância atribuída à narrativa oral pelos iminentes filósofos gregos já no século V a.C. Da mesma forma os contadores de histórias da atualidade exercem um importante papel no desenvolvimento do imaginário coletivo.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica364

O Salão Nobre do Palácio do Catete relembra a vida social e o luxo da corte brasileira no século XIX. Nele eram realizadas as principais recepções do palácio. As pinturas verticais representam cenas mitológicas associadas à música e às artes, e, na parte superior das paredes, pinturas em semicírculo referem-se à vida de Apolo, deus da música e da poesia.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica437

As cenas das batalhas entre gregos e troianos são visualmente descritas pela movimentação do ator, que através de gestos ilustra coreograficamente os combates, emprestando vivacidade ao texto e tornando a compreensão da narrativa acessível a um público maior.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica425

O Canto XVI da Ilíada narra as aventuras de Patroclo, herói grego e principal líder dos Mirmidões (gregos), depois de Aquiles. A morte de Patroclo, no final do canto, acarretará no retorno de Aquiles ao campo de batalha e a subsequente vitória dos gregos sobre os troianos.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica647
Na platéia, da esquerda para a direita: Mário Chagas, Letícia Sabatella, José Nascimento Junior e Eneida Braga.

A apresentação de Richard Rebelo aconteceu uma semana após o nascimento do Instituto Brasileiro de Museus. O IBRAM substitui o antigo Departamento de Museus, desvinculando-se do IPHAN. O Instituto tem por objetivo formular políticas culturais para todos os museus brasileiros - não apenas os federais - melhorar os serviços do setor, aumentar a visitação e arrecadação dos mesmos, fomentar políticas de aquisição e preservação dos acervos e criar ações integradas entre os museus brasileiros.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica724
Mario de Souza Chagas (diretor do Departamento de Processos Museais – IBRAM) cumprimenta o ator Richard Rebelo ao final da apresentação. Ao fundo o atual presidente do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM, José Nascimento Junior.

O evento se insere também na  programação da VII Semana Nacional de Museus que ocorre entre os dias 17 e 23 de maio na cidade do Rio de Janeiro. A semana conta ainda com diversas atividades: palestras, visitas monitoradas gratuitas, seminários, projeções de filmes, espetáculos teatrais e oficinas.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica686

A diretora do Museu da República, Magaly Cabral (ao centro) expressou o desejo de realizar o ciclo completo de apresentações dos 24 Cantos da Ilíada no Salão Nobre do palácio, a partir de 2010, com duas apresentações mensais. O projeto visa dinamizar a visitação do museu e realçar, através da publicação de um catálogo, a iconografia presente nas diversas salas do Palácio do Catete, que em sua maioria ilustram cenas da mitologia greco-romana em seus afrescos, pinturas e esculturas.

riodejaneiro_foto_gilsoncamargo_iliadahomero_18_05_09museudarepublica060

Fotos: Gilson Camargo

dia_internacional_dos_musues_2009_iliadahomero

10
Out
08

encontro da cia. iliadahomero – residência pereira jorge – curitiba – 09/10/08

Encontro da Cia. IliadaHomero para documentação em vídeo do processo de trabalho no projeto Homero nas Bibliotecas.
O documentário está sendo realizado pelo cineasta Tulio Viaro, com direção de fotografia de Gilson Camargo.
Na ocasião foram entregues pelo autor, exemplares do livro recentemente publicado por Salvio Nienkötter (Ateliê Editorial / Unicamp) ao elenco.
Durante a gravação foram lidos fragmentos do texto pelos atores.

Claudete Pereira Jorge – Canto I

Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o Mirmidon divino.
Nume há que os malquistasse? O que o Supremo
Teve em Latona. Infenso um letal morbo
No campo ateia; o povo perecia,
Só porque o rei desacatara a Crises.

Lala Scremin – Canto IV

Em consulta com Jove recostados,
Néctar Hebe louçã tempera aos deuses
Na régia de áureo solho, e de áureas taças
Mutuam brindes a atentar em Tróia.
Eis, com mordaz cotejo, a irmã Satúrnio
Remoca: “A Menelau protegem duas,
Juno Argiva e Minerva Alalcomênia,
Que de olhá-lo tranqüilas se comprazem;
De Páris guarda assídua, a mãe dos risos
Da Parca o subtraiu, tem-no em seguro.
Ao bravo Menelau coube a vitória.
Deliberemos se é melhor de novo
Encarniçar a guerra, ou congraçá-los.
A ser a paz jucunda às partes ambas,
Habite-se de Príamo a cidade,
O Atrida reconduza a Grega Helena.”

Mauro Zanatta – Canto VI – link para página pessoal de Mauro
Sós na lide os mortais, de parte a parte
Ígneo furor aqui e ali se ateia;
Nos dois campos graniza, arremessada
Entre o Símois e o Xanto, ênea procela.
Ajax, da Grécia muro, escala a Tróica
Falange, e livra os seus do Eussório Acamas,
Dos Traces o maior, mais formidável:
Dardo pelo cocar de espessa crina
O osso varou da testa, e em feral treva
Os lumes lhe apagou.

Helena Portela – Canto VII

Assim, das portas rui Heitor mais Páris,
Ambos a respirar bélico incêndio:
Com tanto anelo festejados foram,
Como o vento que um deus bafeja amigo
Do afã do remo a nautas quebrantados.
Páris mata a Menéstio, que olhipulcra
Pariu Filomedusa em Arna ao régio
Areito porta-clava; o irmão, de um bote,
Sob o elmo o colo talha e estira Eione.
Ao Dexíada Ifino, que montava,
Glauco dos Lícios de azagaia a espádua
Fere, e do coche o atira agonizando.

Richard Rebelo -  Canto XVI – link para página pessoal de Richard

Da nau fervia o prélio, e ao divo Aquiles
Vem Patroclo a verter cálido choro,
Como de celsa rocha em fio brota
Fundo olho d’água. Comovido o encontra
O amigo velocípede: “Patroclo,
Pranteias molemente? És qual menina
Que, da mãe apressada após, retêm-na
Pelo vestido, e em lágrimas olhando,
Insta-lhe até que em braços a receba.
Aos Mirmidões, a mim, que novas trazes?
Veio de Ftia um núncio? Vivem, consta,
Menetes e Peleu, cujo trespasso
Tinha de entristecer-nos. Ou lamentas
Os que ante as cavas naus ingratos morrem?
Não me ocultes, amigo, as mágoas tuas.”
Gemente assim Patroclo: “Não te agastes,
Aqueu sem par; dor grave oprime os nossos:
Os mais valentes já feridos jazem,
De lança o Atrida e Ulisses, e frechados
Na coxa Eurípilo e no pé Diomedes.
Médicas mãos os curam cuidadosas;
Mas não se dobra teu rancor, Pelides.
Nunca ira tal me cegue, herói funesto!
Quem mais em teu valor fiar-se pode,
Quando não livras da ruína os Gregos?
Nem te gerou, cruel, Peleu nem Tétis;
Filho és do turvo mar, de broncas penhas.
Se agouros temes, se de Jove arcanos
Declarou-te a mãe deusa, ao menos dá-me
Teus Mirmidões, e aos nossos lume escasso
Talvez serei. Tua armadura emprestes:
Crendo-te em liça os Teucros, é factível
Cessem do assalto, e aos márcios Gregos deixem
Útil breve respiro em tanta lida;
Frescos nós outros, o inimigo lasso
Fácil do campo e naus rechaçaremos.”

Letícia Guimarães - Canto XVIII – link para página pessoal de Leticia

Arde a peleja, e Antíloco despede.
No já completo a meditar, Aquiles
Ante as naus esporadas suspirava
Dentro em sua alma nobre: “Hui! por que os Dânaos
Turbados pelo campo as naus procuram?
É que os numes o trago me preparam
Por minha mãe predito; ela afirmava
Que mão Troiana ao Mirmidon mais forte
Roubaria, inda eu vivo, a luz diurna:
Certo jaz morto o mísero Menécio!
Cá voltar o mandei, remoto o incêndio,
E nunca expor-se do Priâmeo à fúria.”
Enquanto assim pensava, o bom Nestório
Chega-se, em quentes lágrimas lavado:
“Ai! Pelides sem-par, ouve o mais triste
Fúnebre anúncio, que oxalá não fora:
Nu disputa-se o corpo de Patroclo,
E Heitor brilhante lhe possui as armas.”

Zeca Cenovicz – Canto XIX

Do fluente Oceano a crócea Aurora
Surgindo, homens e deuses alumia;
E às naus Tétis baixando, o seu dileto
Em soluços encontra e os companheiros,
Que em torno de Patroclo o lamentavam;
Pega da mão do filho a clara déia:
“Do céu vontade foi; bem que saudosos,
Deixemo-lo em descanso, amado Aquiles.
Tu Vulcânias recebe ínclitas armas,
Quais não coube a varão jamais vesti-las.”

Marly Gott – Canto XXIII

Gemia a grã cidade, e pelas praias
Do alto Helesponto às naus se encaminhavam.
Sem dispersar os Mirmidões, Aquiles:
“Équites caros, disse, os corredores
Não soltemos; de coche, ao morto vamos
O tributo de lágrimas pagar-lhe.
Assim que em ais ali desafogarmos,
Desatem-se os cavalos e ceemos.”

Andressa Medeiros – Canto XXIV

Findo o certame, às naus dispersos correm;
Cuidam na ceia, em brando sono pegam.
Reluta à quietação, que enleia a todos,
O Pelides saudoso a revolver-se,
Ou supino, ou de bruços, ou de ilharga;
Lembra-lhe a valentia, o ardor daquele
Com quem tanto empreendeu, curtiu fadigas,
Em duro marte, em perigosos mares,
E debulha-se em lágrimas. Levanta-se,
Vaga ao longo da praia, até que as ondas
A aurora purpureia: então, jungindo
O alado coche, atrás liga o Priâmeo;
Roja-o três vezes do sepulcro em giro,
Torna ao leito, e no pó deixa o cadáver.
Dói-se Febo de Heitor, conserva-o puro,
De égide áurea coberto, a fim que a rastos
Lacerado não seja indignamente.
___________________________________________________________________________________

Helena, Andressa e Octavio estudam o texto para a gravação.

Fotos: Gilson Camargo

10
Jun
08

júpiter sentado se regozija a rir-se do conflito / patricia reis braga

Itineração do Canto 21 e 22 da Iliada (a partir de dezembro de 2000), interpretado por Patricia Reis Braga, por 9 cidades brasileiras:

Curitiba (PR), Joinville (SC), Ouro Preto (MG), Teresina (PI), São Luiz do Maranhão (MA), São Paulo (SP), Vitória (ES), Campinas (SP) e Porto Alegre (RS)

apresentações de Patricia Reis Braga – Iliada cantos 21 e 22

- Beto Batata – dezembro de 2000
- Universidade Federal do Paraná – março de 2001
- Espaço Arte e Café – maio de 2001 – Joinville SC
- Congresso de Estudos Clássicos – julho de 2001 – Ouro Preto – MG
- Sarau na case de Gavin Adams – março de 2002 – São Paulo
- 10 concurso de Monólogos Ana Maria Rego, junho de 2001, Teresina – PI.
- Museu Historico de São Luiz e Academia Maranhense de Letras – Julho de 2001
- Festival de Monólogos em Vitória – ES – outubro de 2002
- Empório Cultural Máscaras de Outono – São Paulo – abril de 2002
- Associação Palas Athena do Brasil, por indicação do professor Antônio Medina Rodrigues, também apresentando fragmentos do poema Ilíada em “Grandes Cursos” da TV Cultura – fevereiro de 2003 – São Paulo
- IEL – Instituto de Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Campinas na I Semana de Estudos Clássicos – outubro de 2004 – Campinas – SP
- Apresentações em escolas, na adaptação de Salvio Nienkötter, sob o titulo “O Sol de Homero” (Liceu Coração de Jesus, em SP. Espaço Semente em Campinas SP, Escola Estadual Pedro Macedo e Colégio Estadual Tenente Sprenger), em Curitiba – PR – 2005
- Conecção Sul – encontro de artistas contemporaneos de dança – maio de 2006 – Porto Alegre (RS)
- Casa do Saber – janeiro de 2007 – São Paulo

28
Fev
08

ilíada na casa do saber – são paulo, 12/07/2006

claudetepereirajorge_iliadahomero_casadosaber_sp_foto_gilsoncamargo.jpgclaudetepereirajorge_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo3.jpg
claudetepereirajorge_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo1.jpg
claudetepereirajorge_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo2.jpg
claudetepereirajorge_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo4.jpg
Claudete Pereira Jorge.
___________________________________________________________________________________

richardrebelo_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo14.jpg
richardrebelo_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo1.jpg
richardrebelo_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo2.jpg
richardrebelo_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo.jpg
Richard Rebelo.
___________________________________________________________________________________

medina_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo11.jpgmedina_iliadahomero_casadosaber_sp_jul2006_foto_gilsoncamargo.jpg
Antônio Medina Rodrigues – Professor de Língua Grega da USP, que apresentou a Cia. Ilíada Homero aos alunos da Casa do Saber.

27
Fev
08

Ilíada na Fundação Biblioteca Nacional – 29/08/2006

bn_fachada Fachada da Biblioteca Nacional, Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro.

Iliada na Fundação Biblioteca Nacional – 29/08/2006

A Fundação Biblioteca Nacional convida o público carioca a assistir as apresentações dos cantos I e XVI da Ilíada de Homero na tradução de Odorico Mendes, um espetáculo produzido pela Companhia Iliadahomero de Teatro, Curitiba – Paraná. O espetáculo acontecerá no dia 29 de agosto de 2006, no Auditório Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional, às 17h. As apresentações teatrais, realizadas pelos atores Claudete Pereira Jorge e Richard Rebello, vem itinerando por diversas bibliotecas do país, divulgando a obra tradutória de Odorico Mendes num dos clássicos fundamentais da literatura ocidental.

Odorico é, segundo Haroldo de Campos, o Pai da “Transcriação” no Brasil Influenciou todas as traduções posteriores de Homero e Virgílio para a língua portuguesa. Sua obra é pouco conhecida do grande público. Em parte pela complexidade e erudição do seu experimentalismo lingüístico, que encantou autores como Souzândrade e Guimarães Rosa, em parte por estarem também esgotadas as edições do texto de sua Ilíada.

bn_saguao Saguão da Biblioteca Nacional – Foto de Jeff Belmonte
Licensed under Creative Commons Attribution 2.0

A Companhia Iliadahomero de Teatro, dirigida por Octavio Camargo, tem por objetivo realizar uma apresentação integral dos cantos da Ilíada na forma de monólogos teatrais. O grupo, formado por 24 atores, estuda a obra de Odorico desde 1999. O texto é encenado sem cortes, ressaltando a diversidade imitativa e dramática da prática dos rapsodos. O espetáculo tem tido o apoio da Biblioteca Pública do Paraná, e foi apresentado no dia 17 de agosto na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, seguido por um debate sobre Homero com Antõnio Medina Rodrigues, professor de língua grega da USP e responsável pela reedição da Odisséia de Odorico Mendes.

Os Cantos I e XVI da ilíada oferecem uma imagem sinóptica da “Ira de Aquiles”. A disputa entre Aquiles e Agamenon pela posse de Briseida no Canto I, motivo do rompimento de relações entre estes heróis e do afastamento de Aquiles do campo de batalha, e a morte de Patroclo no canto XVI, clímax do conflito, num episódio de aventuras e façanhas, que ocasionará o retorno de Aquiles à guerra.

ex_libris_bnEx-libris da Biblioteca Nacional (Eliseu Visconti, nanquim e guache sobre papel, 26×21 – 1903 – Coleção Biblioteca Nacional).

Evento: A Ilíada de Homero – Cantos I e XVI.
Local: Fundação Biblioteca Nacional. Rua México s/n. Centro – Rio de Janeiro
(Acesso pelo Jardim)
Dia: 29 de Agosto de 2006, às 17h.
Entrada franca

27
Fev
08

ilíada na biblioteca pública do paraná – curitiba, março de 2006

cartaz-iliada.jpg

iliadahomero_bibliotecapublicapr2006_foto_gilsoncamargo1.jpg

links relacionados:
Agência Estadual de Notícias/PR
Jornal da Biblioteca Publica do Paraná – arquivo pdf no scribd e no diretório da BPP.

claudetepereirajorge_iliadahomero_bibliotecapublicapr1_foto_gilsoncamargo1.jpg
claudetepereirajorge_iliadahomero_bibliotecapublicapr2_foto_gilsoncamargo.jpg

Biblioteca Pública apresenta a Ilíada de Homero – 20/03/2006 19:36:10
Agência Estadual de Notícias – Governo do Paraná

A Ilíada de Homero na tradução de Odorico Mendes será apresentada na Biblioteca Pública do Paraná, a partir das 21h, desta terça-feira (21). Após o espetáculo, que se estende até sexta-feira (24), haverá debate sobre literatura e teatro com o professor Paulo Bearzoti Filho.

A atividade cultural é uma alternativa ao Festival de Teatro de Curitiba. Para Octávio Camargo, diretor de “Ilíada de Homero – Canto I e Canto XVI”, a Homero se atribui a autoria da Ilíada e da Odisséia, os textos mais antigos da literatura ocidental. Também é a pedra fundamental das bibliotecas na cultura ocidental. O assunto mereceu a edição extra do Jornal da Biblioteca com textos de Octávio Camargo, professor Paulo Bearzoti Filho, e do escritor Sálvio Nienkötter.

Literatura – “Para podermos esboçar compreensão histórica da literatura universal a leitura de Ilíada é imprescindível. Quem quiser ter noção do desenvolvimento histórico da produção literária no ocidente, não pode deixar de ler a Ilíada. Tudo o que se escreveu depois parece ter saído de lá como de uma caixa de pandora. A Ilíada é o texto fundador da literatura do Ocidente”, analisa Camargo. Os ingressos custam R$ 15 e R$ 7,50 com carteirinha da Biblioteca.
Entrevistas podem ser marcadas com Octávio Camargo pelo telefone
9142.5946.

Serviço:
Teatro na Biblioteca: Ilíada de Homero ? Canto I e Canto XVI
Data: 21 a 24 de março
Horário: 21h
Local: Auditório Paul Garfunkel da Biblioteca Pública do Paraná ? Rua
Cândido Lopes, 133

claudetepereirajorge_iliadahomero_bibliotecapublicapr_foto_gilsoncamargo.jpg
Claudete Pereira Jorge. Canto I – 21/03/2006

debate6_iliadahomero_bibliotecapublicapr2006_foto_gilsoncamargo1.jpg
Debate após a apresentação, com Sálvio Nienkotter, Octávio Camargo, Paulo Bearzoti, Luiz Felipe Leprevost e Marcos Cordioli.
___________________________________________________________________________________

richardrebelo_iliadahomero_bibliotecapublicapr6_foto_gilsoncamargo.jpgrichardrebelo_iliadahomero_bibliotecapublicapr2_foto_gilsoncamargo1.jpgrichardrebelo_iliadahomero_bibliotecapublicapr_foto_gilsoncamargo.jpg
Richard Rebelo. Canto XVI – 23/03/2006

debate3_iliadahomero_bibliotecapublicapr2006_foto_gilsoncamargo.jpg
debate1_iliadahomero_bibliotecapublicapr2006_foto_gilsoncamargo.jpg
Debate após a apresentação, com Claudete Pereira Jorge, Guilherme Soares, Paulo Bearzoti, Marcos Cordioli e
Octávio Camargo.

Fotos para o cartaz: Francisco Camargo
Fotos das apresentações: Gilson Camargo

dsc_9162.jpg
Ex-libris da Biblioteca Pública do Paraná (Denise Roman, nanquim – 2001) – Coleção BPP.

26
Fev
08

ilíada homero – primeira récita – curitiba/pr/brasil – 17/12/2000

lorisantos_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_20001.jpg
Lori Santos. Canto III.

patriciareisbraga_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000web.jpg
Patrícia Reis Braga. Canto XXI.

richardrebello_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000c_web.jpg
Richard Rebelo. Canto XVI.

octaviocamargo_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000_c1_web.jpg
Octávio Camargo. Canto I.

Companhia fará montagem de 12 horas do poema épico de Homero.

A Ilíada, de Homero, vai ganhar uma récita completa em Curitiba. O autor do projeto é o músico, ator e professor de estética da Escola de Música e Belas Artes do Paraná Octávio Camargo. A empreitada começa amanhã no Beto Batata, com a récita de 4 cantos da obra que tem ao todo 24. A apresentação conta ainda com a performance dos atores Lori Santos, Richard Rebelo e Patrícia Reis Braga.
“Platão dizia que Homero educou a Grécia. Por esta frase pode-se ter um a idéia da importância da Ilíada para a humanidade, já que toda a nossa cultura ocidental é também helênica”, explica Camargo. Engana-se porém, quem pensa que a récita de Camargo se aterá apenas aos fatos da obra-prima homérica. “Os fatos podem ser conhecidos nas traduções em prosa, bastante acessíveis. Escolhemos uma versão em verso para valorizarmos a matriz semiótica do texto”, ensina.
A tradução usada por Octávio é a do século passado feita por Odorico Mendes, em verdade o grande homenageado por este projeto. “Odorico Mendes soube transpor para o português toda a estrutura, toda a multiplicidade de signos e o léxico do grego de Homero”.
A apresentação deste domingo tem duração aproximada de duas horas.

Texto reproduzido de reportagem do Jornal do Estado, do dia 16 de dezembro de 2000, em matéria escrita por Paulo Polzonoff Jr.

Cenário: Exposição “Aparecidas”, de João Urban e Suzana Barretto
Fotos: Gilson Camargo

patriciareisbraga_iladahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000b_web.jpg
iliadabetobatata_publico_foto_gilsoncamargo_2000_web.jpglorisantos_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000a_web.jpg
patriciareisbraga_iladahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000_e_web1.jpg
richardrebello_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000_web.jpg
octaviocamargo_iliadahomero_foto_gilsoncamargo_betobatata_2000b1.jpg

26
Fev
08

Canto I da Ilíada com Claudete Pereira Jorge – Wonka Bar, Curitiba, 29/11/2005

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_1

Ilíada de Homero, Canto I
Tradução de Odorico Mendes
com Claudete Pereira Jorge

Direção: Octávio Camargo
Consultor: Sálvio Nienkötter
Porão Loquax, Wonka Bar,
Curitiba-PR, 29/11/2005

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_3

Fotos: Mathieu Bertrand Struck

=================================================================

Início

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_4

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_5

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_6

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_6

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_6

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_6

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_7

Coberta de palmas. O pequeno porão ressoou.

=================================================================

Entracte

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_8
Claudete Pereira Jorge

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_9

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_10
Octávio Camargo

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_11

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_12

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_13

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_14
Do primeiro para o último plano: Claudete, Octávio e Sálvio. Triunvirato homérico.

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_2
Octávio e Maria Celi Santos de Camargo.

=================================================================

Retomada

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_16

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_19

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_15

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_17

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_18

=================================================================

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_20

Sálvio Nienkötter

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_21

Agradou Gregos e Troianos
=================================================================

A Volta

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_22

Fogo lançado aos navios recurvos.

iliada_claudete_canto1_wonka_2005_23

Espectro de Páris ronda a Visconde de Nacar em busca de iluminação.

Fotos: Mathieu Bertrand Struck

25
Fev
08

Canto XVI da Ilíada (tradução de Odorico Mendes) – 26/07/2007 – Curitiba/Brasil – com Richard Rebelo

richard_ensaio_octavio_umpoucomaior1

Canto XVI da Ilíada, na tradução de Odorico Mendes
com Richard Rebelo
Direção: Octávio Camargo
26/07/2007 (quinta-feira) 20h

richard_ensaio_octavio_umpoucomaior2

Local: ACT – Ateliê de Criação Teatral
R. Paulo Graeser Sobrinho, 305
São Francisco – Cep: 80510-170
Curitiba – Paraná – Brasil
Fones: 41.3338 0450 / 3338 6189
E-mail: act.atelie@uol.com.br

richard_ensaio_octavio_umpoucomaior3

Ensaio realizado em 22/07/2007
Fotos: Mathieu Bertrand Struck
Licensed under CC-BY-SA