Arquivo para a categoria 'conexões & contexto'

10
Mar
09

reunião com alfredo manevi – ministro interino da cultura

angelovanhoni_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09d1

O projeto Homero nas Bibliotecas foi apresentado ao ministro interino da Cultura Alfredo Manevi por iniciativa do deputado federal Angelo Vanhoni e da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. A reunião pautava estratégias de ampliação da interface entre as politicas culturais do Ministério da Cultura (MinC) e o estado do Paraná.

angelovanhoni_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09a

Estavam presentes na reunião: Carlos Alberto Vieira Filho, chefe de gabinete do MinC, Paulo Brum, assessor especial do ministro da Cultura, Sandro Machado, assessor parlamentar, o fotógrafo Kleber Fragoso, a jornalista e assessora de imprensa da casa Patricia Saldanha e Octavio Camargo, diretor da Associação Cultural e Artistica Iliadahomero.

angelovanhoni_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09e

Após as considerações iniciais do deputado Angelo Vanhoni, foi exibido o documentário em vídeo com depoimentos dos 24 atores que integram a Cia Iliadahomero de Teatro. O audiovisual foi produzido para a apresentação do projeto junto ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) no ùltimo simpósio promovido pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) em outubro de 2008.

octaviocamargoalfredomanevi_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09b

Octavio Camargo apresentou ao ministro a recente publicação da Iliada na tradução de Odorico Mendes (Ateliê/Unicamp), salientando que a revisão e as notas ao texto na edição preparada por Salvio Nienkötter auxiliam em muito à compreensão da obra. O projeto Homero nas Bibliotecas prevê a publicação em formato jornal de 90 mil exemplares da Iliada em texto integral, a serem distribuídas durante os 2 anos de itineração dos atores pelas 9 capitais brasileiras selecionadas para sediarem as apresentações.

octaviocamargoalfredomanevi_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09

Ao perceberem que tratava-se de importante estímulo a uma política nacional de incentivo à “loucura” leitura, Manevi e Camargo riem do ato falho e abre-se a discussão para as questões de encaminhamento técnico e custos orçamentários.

octaviocamargoalfredomaneviangelovanhoni_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09

O ministro expressou entusiasmo com a possibilidade de itineração dos monólogos pelas bilbiotecas do SNBP e buscou indicar caminhos para a participação do MinC em sua viabilização. Além dos mecanismos de isenção fiscal que podem ser propiciados pela lei de mecenato – PRONAC, cogitou-se a inclusão, ainda que parcial, do projeto no Fundo Nacional de Cultura (FNC).

carlosvieiraoctaviocamargo_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09

A análise desta perspectiva e de outras vias de fomento para o projeto Homero nas Bibliotecas está sob responsabilidade do chefe de gabinete do MinC, Carlos Vieira, que indicará os proximos encaminhamentos.

angelovanhoni_foto_gilsoncamargo_brasilia_04_03_09o

O deputado Angelo Vanhoni reiterou a importância da inclusão do projeto no FNC, lembrando que a participação direta do Ministério no projeto, mesmo que escalonada e parcial, ajudará em muito na captação dos recursos complementares via PRONAC.

octaviocamargo_brasilia_foto_gilsoncamargo_brasilia_05_03_09

Aguardando pronunciamento sobre as questões suscitadas pela reunião, o diretor da Associação Cultural e Artistica Iliadahomero reflete sobre os encontros agendados para o dia seguinte em Brasilia. Em pauta estavam reuniões com o coordenador estadual de bibliotecas do Distrito Federal, Cassemiro Souza, e a gerente de articulação institucional e fomento do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan, Eneida Braga Rocha de Lemos.

Fotos: Gilson Camargo

10
Mar
09

biblioteca leonel de moura brizola – bnb – biblioteca nacional de brasília

10
Mar
09

reunião com eneida braga – departamento de museus e centros culturais – iphan

iphan_brasilia_foto_gilsoncamargo05_03_09b

Buscando dinamizar as práticas interdisciplinares de suas atividades culturais e conhecer as politicas de fomento para projetos de preservação de patrimonio histórico e memória, a Asssociação Cultural e Artística Iliadahomero conversou com Eneida Braga, gerente de articulaçao institucional e fomento do Departamento de Museus e Centros Culturais do IphaN.

iphan_brasilia_foto_gilsoncamargo05_03_09a
Da esquerda para a direita:  Chica Picanço (assessora parlamentar do deputado Angelo Vanhoni), Eneida Braga e Octavio Camargo.

Eneida apresentou as linhas de fomento disponíveis atualmente no IphaN e ressaltou o projeto Museu da Favela no complexo Pavão-Pavãozinho e Cantagalo no Rio de Janeiro.

iphan_brasilia_foto_gilsoncamargo05_03_09c1

fotos: Gilson Camargo

23
Out
08

lançamento da ilíada na tradução de odorico mendes na biblioteca pública do paraná

Sálvio Nienkötter – autor da nova edição com notas verso a verso.

O evento de lançamento da Iliada na tradução de Odorico Mendes, edição de Salvio Nienkötter (Ateliê Editorial/UNICAMP), aconteceu no saguão da Biblioteca Pública do Paraná, dia 24 de Outubro as 19h30. durante a Semana do livro. Dentre os convidados, além do público que prestigiou o lançamento, esteve presente o Diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Sr. Cláudio Gamas Fajardo.

Exibição de vídeo do Projeto Homero nas Bibliotecas, da Cia. Iliadahomero de Teatro, no hall da BPP

Claudete Pereira Jorge – fragmento do Canto l

Patrícia Reis Braga – fragmento do texto original em grego

Professor Paulo Bearzoti Filho – apresentação

Biblioteca Pública do Paraná – Edifício projetado em 1951 pelos engenheiros Romeu Paulo da Costa (anteprojeto) e Elato Silva (projeto final e fachada). Inaugurado em 19 de dezembro de 1954.
___________________________________________________________________________________

Fotos: Gilson Camargo

10
Out
08

encontro da cia. iliadahomero – residência pereira jorge – curitiba – 09/10/08

Encontro da Cia. IliadaHomero para documentação em vídeo do processo de trabalho no projeto Homero nas Bibliotecas.
O documentário está sendo realizado pelo cineasta Tulio Viaro, com direção de fotografia de Gilson Camargo.
Na ocasião foram entregues pelo autor, exemplares do livro recentemente publicado por Salvio Nienkötter (Ateliê Editorial / Unicamp) ao elenco.
Durante a gravação foram lidos fragmentos do texto pelos atores.

Claudete Pereira Jorge – Canto I

Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o Mirmidon divino.
Nume há que os malquistasse? O que o Supremo
Teve em Latona. Infenso um letal morbo
No campo ateia; o povo perecia,
Só porque o rei desacatara a Crises.

Lala Scremin – Canto IV

Em consulta com Jove recostados,
Néctar Hebe louçã tempera aos deuses
Na régia de áureo solho, e de áureas taças
Mutuam brindes a atentar em Tróia.
Eis, com mordaz cotejo, a irmã Satúrnio
Remoca: “A Menelau protegem duas,
Juno Argiva e Minerva Alalcomênia,
Que de olhá-lo tranqüilas se comprazem;
De Páris guarda assídua, a mãe dos risos
Da Parca o subtraiu, tem-no em seguro.
Ao bravo Menelau coube a vitória.
Deliberemos se é melhor de novo
Encarniçar a guerra, ou congraçá-los.
A ser a paz jucunda às partes ambas,
Habite-se de Príamo a cidade,
O Atrida reconduza a Grega Helena.”

Mauro Zanatta – Canto VI – link para página pessoal de Mauro
Sós na lide os mortais, de parte a parte
Ígneo furor aqui e ali se ateia;
Nos dois campos graniza, arremessada
Entre o Símois e o Xanto, ênea procela.
Ajax, da Grécia muro, escala a Tróica
Falange, e livra os seus do Eussório Acamas,
Dos Traces o maior, mais formidável:
Dardo pelo cocar de espessa crina
O osso varou da testa, e em feral treva
Os lumes lhe apagou.

Helena Portela – Canto VII

Assim, das portas rui Heitor mais Páris,
Ambos a respirar bélico incêndio:
Com tanto anelo festejados foram,
Como o vento que um deus bafeja amigo
Do afã do remo a nautas quebrantados.
Páris mata a Menéstio, que olhipulcra
Pariu Filomedusa em Arna ao régio
Areito porta-clava; o irmão, de um bote,
Sob o elmo o colo talha e estira Eione.
Ao Dexíada Ifino, que montava,
Glauco dos Lícios de azagaia a espádua
Fere, e do coche o atira agonizando.

Richard Rebelo -  Canto XVI – link para página pessoal de Richard

Da nau fervia o prélio, e ao divo Aquiles
Vem Patroclo a verter cálido choro,
Como de celsa rocha em fio brota
Fundo olho d’água. Comovido o encontra
O amigo velocípede: “Patroclo,
Pranteias molemente? És qual menina
Que, da mãe apressada após, retêm-na
Pelo vestido, e em lágrimas olhando,
Insta-lhe até que em braços a receba.
Aos Mirmidões, a mim, que novas trazes?
Veio de Ftia um núncio? Vivem, consta,
Menetes e Peleu, cujo trespasso
Tinha de entristecer-nos. Ou lamentas
Os que ante as cavas naus ingratos morrem?
Não me ocultes, amigo, as mágoas tuas.”
Gemente assim Patroclo: “Não te agastes,
Aqueu sem par; dor grave oprime os nossos:
Os mais valentes já feridos jazem,
De lança o Atrida e Ulisses, e frechados
Na coxa Eurípilo e no pé Diomedes.
Médicas mãos os curam cuidadosas;
Mas não se dobra teu rancor, Pelides.
Nunca ira tal me cegue, herói funesto!
Quem mais em teu valor fiar-se pode,
Quando não livras da ruína os Gregos?
Nem te gerou, cruel, Peleu nem Tétis;
Filho és do turvo mar, de broncas penhas.
Se agouros temes, se de Jove arcanos
Declarou-te a mãe deusa, ao menos dá-me
Teus Mirmidões, e aos nossos lume escasso
Talvez serei. Tua armadura emprestes:
Crendo-te em liça os Teucros, é factível
Cessem do assalto, e aos márcios Gregos deixem
Útil breve respiro em tanta lida;
Frescos nós outros, o inimigo lasso
Fácil do campo e naus rechaçaremos.”

Letícia Guimarães - Canto XVIII – link para página pessoal de Leticia

Arde a peleja, e Antíloco despede.
No já completo a meditar, Aquiles
Ante as naus esporadas suspirava
Dentro em sua alma nobre: “Hui! por que os Dânaos
Turbados pelo campo as naus procuram?
É que os numes o trago me preparam
Por minha mãe predito; ela afirmava
Que mão Troiana ao Mirmidon mais forte
Roubaria, inda eu vivo, a luz diurna:
Certo jaz morto o mísero Menécio!
Cá voltar o mandei, remoto o incêndio,
E nunca expor-se do Priâmeo à fúria.”
Enquanto assim pensava, o bom Nestório
Chega-se, em quentes lágrimas lavado:
“Ai! Pelides sem-par, ouve o mais triste
Fúnebre anúncio, que oxalá não fora:
Nu disputa-se o corpo de Patroclo,
E Heitor brilhante lhe possui as armas.”

Zeca Cenovicz – Canto XIX

Do fluente Oceano a crócea Aurora
Surgindo, homens e deuses alumia;
E às naus Tétis baixando, o seu dileto
Em soluços encontra e os companheiros,
Que em torno de Patroclo o lamentavam;
Pega da mão do filho a clara déia:
“Do céu vontade foi; bem que saudosos,
Deixemo-lo em descanso, amado Aquiles.
Tu Vulcânias recebe ínclitas armas,
Quais não coube a varão jamais vesti-las.”

Marly Gott – Canto XXIII

Gemia a grã cidade, e pelas praias
Do alto Helesponto às naus se encaminhavam.
Sem dispersar os Mirmidões, Aquiles:
“Équites caros, disse, os corredores
Não soltemos; de coche, ao morto vamos
O tributo de lágrimas pagar-lhe.
Assim que em ais ali desafogarmos,
Desatem-se os cavalos e ceemos.”

Andressa Medeiros – Canto XXIV

Findo o certame, às naus dispersos correm;
Cuidam na ceia, em brando sono pegam.
Reluta à quietação, que enleia a todos,
O Pelides saudoso a revolver-se,
Ou supino, ou de bruços, ou de ilharga;
Lembra-lhe a valentia, o ardor daquele
Com quem tanto empreendeu, curtiu fadigas,
Em duro marte, em perigosos mares,
E debulha-se em lágrimas. Levanta-se,
Vaga ao longo da praia, até que as ondas
A aurora purpureia: então, jungindo
O alado coche, atrás liga o Priâmeo;
Roja-o três vezes do sepulcro em giro,
Torna ao leito, e no pó deixa o cadáver.
Dói-se Febo de Heitor, conserva-o puro,
De égide áurea coberto, a fim que a rastos
Lacerado não seja indignamente.
___________________________________________________________________________________

Helena, Andressa e Octavio estudam o texto para a gravação.

Fotos: Gilson Camargo

08
Out
08

encontro da cia. iliadahomero – armazém venda – curitiba – 06/10/08

Encontro da Cia. IliadaHomero para documentação em vídeo do processo de trabalho no projeto Homero nas Bibliotecas.
O documentário está sendo realizado pelo cineasta Tulio Viaro, com direção de fotografia de Gilson Camargo.
Na ocasião foram entregues pelo autor, exemplares do livro recentemente publicado por Salvio Nienkötter (Ateliê Editorial / Unicamp) ao elenco.
Durante a gravação foram lidos fragmentos do texto pelos atores.

Christiane de Macedo – Canto ll

Deuses e campeões a noite os lia;
Só vela o Padre, a ruminar de que arte
Levante Aquiles e escarmente os Gregos.
A Agamêmnon soltar por fim resolve
Um maléfico Sonho, e o chama e apressa:
“Voa, Sonho falaz, do Atrida às popas;
Quanto prescrevo, exato lho anuncia:
Que arme os crinitos Graios e as falanges,
De extensas ruas a cidade expugne;
Que, intercedendo Juno, o Céu concorde
Ameaça de ruína a excelsa Tróia.”
De cor este recado, o Sonho parte
Às naus ligeiras, e acha o Atrida preso
Do sono, que lhe cerca e embebe a tenda.
À cabeceira, os traços do Nelides
Nestor vestindo, a quem o Argeu potente
Mais do que a todos venerava, o argúi:
“Dormes, de Atreu guerreiro ó nobre filho?
E dorme em cheio o próprio em quem descansa,
A quem do exército o cuidado incumbe?
Escuta; mensageiro eu sou de Jove,
Que de longe em ti pensa e te lastima:
Arma os crinitos Graios e as falanges,
De extensas ruas a cidade expugna;
Por Juno o Céu concorde, a mão suprema
De iminente ruína ameaça Tróia.

Lori Santos – Canto III

Sabei de mim, Dardânios
E Aqueus de fina greva, o que Alexandre
Propõe, da guerra autor. De parte a parte
Largadas no almo chão fulgúreas armas,
Menelau marcial a sós com ele
Dispute Helena; o vencedor aceite
E reconduza a dama e os seus tesouros;
Nós outros aliança e paz firamos.”

Luiz Felipe Leprevost – Canto V

A Diomedes robora e esforça Palas,
Para que ele se exalce e em fama cresça.
Indefesso arde-lhe o elmo, arde-lhe o escudo:
Como a estrela outonal que mais cintila
Banhada no Oceano, áscuas de fogo
Da cabeça e dos ombros lhe flamejam.
Ao denso do tumulto o impele a deusa.

Chiris Gomes – Canto XI

Surgindo a Aurora do Titônio leito,
O globo e os céus alumiava, quando
Jove a nera Discórdia às naus despede;
A qual da guerra sacudindo o facho,
Parou no centro, na de Ulisses, donde
Em tendas e baixéis ouvida fosse
De Aquiles e de Ajax, que aos dois extremos,
No seu valor seguros, alojavam.
Brame horrentíssimo, e retine o grito
Ao coração dos Dânaos, que incessantes
Anseiam batalhar, e então mais doce
Lhes era a pugna que a tornada à pátria.
Clama e intima Agamêmnon que se aprestem,
E aêneo luz. Com prata finas grevas
Primeiro às pernas afivela; aos peitos
Loriga veste, que hóspede Ciniras
Mandou-lhe em dádiva, ao troar em Chipre
A nova de ir a Tróia a Grega armada:

Katia Horn – Canto XIII – link para página pessoal de Katia

Jove, Heitor já na praia, deixa aos Teucros
A angústia e o peso; aos Traces cavaleiros
Fúlgidos olhos volve, aos Hipomolgos
Glatófagos longevos, aos rompentes
Mísios, Ábios justíssimos dos homens;
Nem pensou que imortal algum viesse
Favorecer a Gregos ou Troianos.

Eliane Campelli – Canto XIV

Entre o beber sentiu Nestor o estrondo:
“Que será, grita, ó nobre Esculapides?
Perto a voz cresce de alentados jovens.
Liba tu roxo vinho, enquanto aquece
A de louras madeixas Hecamede
Banho em que lave da ferida os grumos:
Vou da atalaia examinar o caso.”

À câmara se foi, do seu Vulcano
Obra, a que ele ajeitou secreta chave,
Que nenhum deus a abrisse; fecha entrando
Os fúlgidos batentes: com ambrosia
Purifica primeiro o corpo amável,
Unge-o de óleo suavíssimo e sagrado,
Cuja fragrância, no Dial palácio
Esparsa, o pólo banha e a terra o sente;
Perfumada, penteia e anela a coma,
Que da imortal cabeça em flocos brilha;
Dedáleo odoro peplo airosa veste,
Bordado por Minerva, e ao peito o enlaça
Áurea presilha; um cinto em franjas belo
Ajusta; nas orelhas bem furadas
Pingentes mete insignes, de três gemas
De água ofuscantes; enrola à testa régia
Faixa nova e louçã, como o Sol clara;
Ata aos pés luzidíssimas sandálias.
Do camarim saiu toda enfeitada,
E a parte a Vênus chama: “Escuta, filha:
Negar-me-ás um favor, porque te enfada
Ser eu contrária a Tróia e a pró dos Gregos?”
Respondeu-lha a enteada: “Augusta prole
Do Grã Saturno, dize o que tens n’alma;
Que a minha é prestes a cumprir teu mando,
Se for possível.”

Simone Spoladore – Canto XVII – link para página de Simone no Wikipédia

Menelau, no conflito percebendo
Que jaz Patroclo, a proteger seu corpo
Entre a vanguarda marcha erifulgúreo:
Qual gemente primípara novilha
Meiga cerca o filhinho, o louro Atrida
Pugnaz, de hasta e rodela, ameaça firme
A quem se apropinquar.

Letícia Sabatella – Canto XX – link para página de Letícia no Wikipédia

Enquanto com o herói sedentos Graios
Se armam na frota, e na colina os Teucros,
Do Olimpo sinuoso expede Jove
Têmis, que gira tudo e chama os deuses
À Dial corte: menos o Oceano,
Rio algum não faltou, nem faltou ninfa
Que bosque habite ou fonte ou prado ervoso.
Já do Nubícogo em polidas selas,
Que lhe engenhou Vulcano, estavam todos,
Quando cortês o rei dos mares chega,
Toma seu trono e diz: “Senhor do raio,
Por que de novo os imortais convocas?
Sobre os Aqueus e os Teucros deliberas,
Prestos a arder em sanguinosa lide?”

Patrícia Reis Braga – Canto XXI

Da riba entanto se despenha Aquiles;
Mas, qual touro mugindo e a revolver-se,
Túmido o Xanto os apinhados mortos
De si furioso expele, esconde os vivos
Na alva corrente e vórtices profundos,
E o voraz homicida escarcéus turvosCerram,
batem no escudo, os pés lhe embargam.

Salvio Nienkötter – fragmento do texto original em grego

Μῆνιν ἄειδε, θεά, Πηληιάδεω Ἀχιλῆος
οὐλομένην, ἣ μυρί’ Ἀχαιοῖς ἄλγε’ ἔθηκε,
πολλὰς δ’ ἰφθίμους ψυχὰς Ἄϊδι προῒαψεν
ἡρώων, αὐτοὺς δὲ ἑλώρια τεῦχε κύνεσσιν
οἰωνοῖσί τε πᾶσι· Διὸς δ’ ἐτελείετο βουλή·
ἐξ οὗ δὴ τὰ πρῶτα διαστήτην ἐρίσαντε
Ἀτρεΐδης τε ἄναξ ἀνδρῶν καὶ δῖος Ἀχιλλεύς.
___________________________________________________________________________________

Frei Beto, também presente na ocasião, abençoou a atitude da Companhia e liberou-a do pecado original.

Fotos: Gilson Camargo

27
Fev
08

“Cego vê a verdade no escuro e assim canta o sofrimento das coisas” (Cego Júlio, Deus & o Diabo na terra do sol)

busto_homero_sem_olhos

Elogio de la sombra, Jorge Luis Borges

La vejez (tal es el nombre que los otros le dan)
puede ser el tiempo de nuestra dicha.
El animal ha muerto o casi ha muerto.
Quedan el hombre y su alma.
Vivo entre formas luminosas y vagas
que no son aún la tiniebla.
Buenos Aires,
que antes se desgarraba en arrabales
hacia la llanura incesante,
ha vuelto a ser la Recoleta, el Retiro,
las borrosas calles del Once
y las precarias casas viejas
que aún llamamos el Sur.
Siempre en mi vida fueron demasiadas las cosas;
Demócrito de Abdera se arrancó los ojos para pensar;
el tiempo ha sido mi Demócrito.
Esta penumbra es lenta y no duele;
fluye por un manso declive
y se parece a la eternidad.
Mis amigos no tienen cara,
las mujeres son lo que fueron hace ya tantos años,
las esquinas pueden ser otras,
no hay letras en las páginas de los libros.
Todo esto debería atemorizarme,
pero es una dulzura, un regreso.
De las generaciones de los textos que hay en la tierra
sólo habré leído unos pocos,
los que sigo leyendo en la memoria,
leyendo y transformando.
Del Sur, del Este, del Oeste, del Norte,
convergen los caminos que me han traído
a mi secreto centro.
Esos caminos fueron ecos y pasos,
mujeres, hombres, agonías, resurrecciones,
días y noches,
entresueños y sueños,
cada ínfimo instante del ayer
y de los ayeres del mundo,
la firme espada del danés y la luna del persa,
los actos de los muertos,
el compartido amor, las palabras,
Emerson y la nieve y tantas cosas.
Ahora puedo olvidarlas. Llego a mi centro,
a mi álgebra y mi clave,
a mi espejo.
Pronto sabré quién soy.

25
Fev
08

agora

octaviocamargo_pontadapita_antonina_brasil_foto_gilsoncamargo15.jpg
octaviocamargo_pontadapita_antonina_brasil_foto_gilsoncamargo3.jpg
octaviocamargo_pontadapita_antonina_brasil_foto_gilsoncamargo4.jpg
octaviocamargo_pontadapita_antonina_brasil_foto_gilsoncamargo2.jpg
Octávio Camargo. Teatro de Arena. Ponta da Pita. Antonina/PR – 1997
Fotos: Gilson Camargo