Posts Categorizados ‘ilíadahomero

01
Abr
09

guta stresser e thais tedesco (cantos ix e x)

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Guta Stresser – Canto IX

Ronda-se a praça. Os Dânaos sobre-humano
Abalo invade, irmão de frio medo;
Agro luto os fortíssimos domina.
Qual da Trácia a roncar Zéfiro e Bóreas,
Incha a piscoso ponto, e escarcéu turvo
Em monte arqueia e de alga inunda as praias;
Tal borrasca aos Aqueus revolve o seio.
Chagado n’alma o Atrida, arautos manda
Convocar em segredo a flor dos sócios,
E ele alguns sem estrépito procura.
Mal abanca o tristonho juntamento,
Ergue-se, e como de árdua penha brota
Negro olho d’água, em fio lagrimando,
Fundo suspira: “Príncipes e amigos,
Enredou-me o Satúrnio em lance infesto!anto
Depois de Ílio assolada, e quer arteiro
Que, perdido o meu povo, inglório volte?

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Thais Tedesco – Canto X

Liga os demais a noite em mole sono;
Em claro a passa o rei de tantas gentes,
Gravíssimos cuidados ruminando:
Qual de Juno pulcrícoma o consorte
Lampeja crebro, se aguaceiro ajunta,
Granizo ou neve que embranqueça as lavras,
Ou se abre à guerra amarga as fauces negras;
Tal suspira, e as entranhas lhe estremecem.
Turbado considera em cerco de Ílio
Os muitos fogos, o rumor dos homens,
Das tíbias e trombetas; mas, se atenta
O Aquivo exército e as silentes praias,
Aos Céus queixando-se os cabelos carpe,
No íntimo geme o coração brioso.
Melhor enfim parece-lhe ao Nelides
Ir consultivo e combinar com ele
Como os Dânaos defenda.

Fotos: Gilson Camargo

27
Fev
08

Ilíada na Fundação Biblioteca Nacional – 29/08/2006

bn_fachada Fachada da Biblioteca Nacional, Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro.

Iliada na Fundação Biblioteca Nacional – 29/08/2006

A Fundação Biblioteca Nacional convida o público carioca a assistir as apresentações dos cantos I e XVI da Ilíada de Homero na tradução de Odorico Mendes, um espetáculo produzido pela Companhia Iliadahomero de Teatro, Curitiba – Paraná. O espetáculo acontecerá no dia 29 de agosto de 2006, no Auditório Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional, às 17h. As apresentações teatrais, realizadas pelos atores Claudete Pereira Jorge e Richard Rebello, vem itinerando por diversas bibliotecas do país, divulgando a obra tradutória de Odorico Mendes num dos clássicos fundamentais da literatura ocidental.

Odorico é, segundo Haroldo de Campos, o Pai da “Transcriação” no Brasil Influenciou todas as traduções posteriores de Homero e Virgílio para a língua portuguesa. Sua obra é pouco conhecida do grande público. Em parte pela complexidade e erudição do seu experimentalismo lingüístico, que encantou autores como Souzândrade e Guimarães Rosa, em parte por estarem também esgotadas as edições do texto de sua Ilíada.

bn_saguao Saguão da Biblioteca Nacional – Foto de Jeff Belmonte
Licensed under Creative Commons Attribution 2.0

A Companhia Iliadahomero de Teatro, dirigida por Octavio Camargo, tem por objetivo realizar uma apresentação integral dos cantos da Ilíada na forma de monólogos teatrais. O grupo, formado por 24 atores, estuda a obra de Odorico desde 1999. O texto é encenado sem cortes, ressaltando a diversidade imitativa e dramática da prática dos rapsodos. O espetáculo tem tido o apoio da Biblioteca Pública do Paraná, e foi apresentado no dia 17 de agosto na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, seguido por um debate sobre Homero com Antõnio Medina Rodrigues, professor de língua grega da USP e responsável pela reedição da Odisséia de Odorico Mendes.

Os Cantos I e XVI da ilíada oferecem uma imagem sinóptica da “Ira de Aquiles”. A disputa entre Aquiles e Agamenon pela posse de Briseida no Canto I, motivo do rompimento de relações entre estes heróis e do afastamento de Aquiles do campo de batalha, e a morte de Patroclo no canto XVI, clímax do conflito, num episódio de aventuras e façanhas, que ocasionará o retorno de Aquiles à guerra.

ex_libris_bnEx-libris da Biblioteca Nacional (Eliseu Visconti, nanquim e guache sobre papel, 26×21 – 1903 – Coleção Biblioteca Nacional).

Evento: A Ilíada de Homero – Cantos I e XVI.
Local: Fundação Biblioteca Nacional. Rua México s/n. Centro – Rio de Janeiro
(Acesso pelo Jardim)
Dia: 29 de Agosto de 2006, às 17h.
Entrada franca

27
Fev
08

“Cego vê a verdade no escuro e assim canta o sofrimento das coisas” (Cego Júlio, Deus & o Diabo na terra do sol)

busto_homero_sem_olhos

Elogio de la sombra, Jorge Luis Borges

La vejez (tal es el nombre que los otros le dan)
puede ser el tiempo de nuestra dicha.
El animal ha muerto o casi ha muerto.
Quedan el hombre y su alma.
Vivo entre formas luminosas y vagas
que no son aún la tiniebla.
Buenos Aires,
que antes se desgarraba en arrabales
hacia la llanura incesante,
ha vuelto a ser la Recoleta, el Retiro,
las borrosas calles del Once
y las precarias casas viejas
que aún llamamos el Sur.
Siempre en mi vida fueron demasiadas las cosas;
Demócrito de Abdera se arrancó los ojos para pensar;
el tiempo ha sido mi Demócrito.
Esta penumbra es lenta y no duele;
fluye por un manso declive
y se parece a la eternidad.
Mis amigos no tienen cara,
las mujeres son lo que fueron hace ya tantos años,
las esquinas pueden ser otras,
no hay letras en las páginas de los libros.
Todo esto debería atemorizarme,
pero es una dulzura, un regreso.
De las generaciones de los textos que hay en la tierra
sólo habré leído unos pocos,
los que sigo leyendo en la memoria,
leyendo y transformando.
Del Sur, del Este, del Oeste, del Norte,
convergen los caminos que me han traído
a mi secreto centro.
Esos caminos fueron ecos y pasos,
mujeres, hombres, agonías, resurrecciones,
días y noches,
entresueños y sueños,
cada ínfimo instante del ayer
y de los ayeres del mundo,
la firme espada del danés y la luna del persa,
los actos de los muertos,
el compartido amor, las palabras,
Emerson y la nieve y tantas cosas.
Ahora puedo olvidarlas. Llego a mi centro,
a mi álgebra y mi clave,
a mi espejo.
Pronto sabré quién soy.

25
Fev
08

Rapsodos trabalhando!

rapsodos_trabalhando_um_pouco_maior

Este é o primeiro canto do blog da Cia. de Teatro Ilíadahomero.

Bem-vindo!